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A gestão emocional na PREVENÇÃO de Acidentes de Trabalho

Atualmente os trabalhadores refletem no seu dia-a-dia os vários condicionalismos de um estilo de vida concentrado na rapidez de acesso, quer aos meios de informação (redes sociais), quer aos meios de comunicação (smartphone, iPhone, etc.), quer à gratificação fácil, satisfação imediata e à despersonalização insensível das sociedades de consumo, onde impera o artificialismo e o virtualismo exacerbado.

E é neste universo que diariamente muitos trabalhadores se inserem, numa rede complexa de relações socioprofissionais, onde a primazia da dedicação ao trabalho vai deixando para trás outras áreas da socialização do indivíduo aumentando-lhe uma carga de stress contínuo, ansiedade e descontentamento com o trabalho, materializado em perdas de concentração e de atenção cada vez mais frequentes, ou seja, na antecâmara de atos inseguros, ou seja de incidentes e/ou acidentes de trabalho.

Para muitas pessoas, o trabalho, por várias razões, é uma fonte contínua de insatisfação, descontentamento e desconforto levando como atrás referi a situações (que, se não forem atempadamente sinalizadas e tratadas por profissionais de recursos humanos, de segurança e saúde no trabalho ou de psicologia), extremas como:

  • Burnout – Termo criado na década de setenta para descrever as consequências do stress excessivo, permanente, vivido em determinados contextos profissionais. Hoje o conceito está mais alargado às questões do esgotamento físico e mental, associado ao excesso de trabalho como os designados workaholics, em prejuízo da sua vida social, pessoal e familiar;
  • Mobbing – Um novo fenómeno que vem progressivamente surgindo nas organizações das tecnologias de I & C (e não só) fruto das alterações económicas e das sucessivas crises financeiras que condicionam a redução de efetivos, por vezes a “corte de faca”. Se já conhecíamos o fenómeno do bullying (a nível escolar), deparamo-nos infelizmente agora com esta inconformidade crescente que perturba a sanidade do trabalhador e consequentemente a produtividade a médio e longo prazo;
  • Comportamentos aditivos - Outro sinal dos tempos de perturbação psicológica e profissional com quadros de ansiedade e desmotivação, é o aumento do consumo de substâncias aditas como o café, o álcool, os fármacos e as drogas. Os trabalhadores ao consumirem mais para manifestarem o mesmo prazer intrínseco, estão inconscientemente a envolver terceiros como as suas famílias num ciclo disruptivo que pode influenciar separações litigiosas e violência doméstica;
  • Compulsão por compras à Um fenómeno também crescente, fruto do isolamento e da falta de afetos. Esta compulsão (conhecida como oniomania) está inserida no quadro dos impulsos, podendo se for reiterada, assumir-se como uma disfunção patológica. Como referi, esta compulsão por compras esconde em grande parte (e não estou obviamente a generalizar) problemas mais profundos como estádios depressivos e ansiosos, bem como ausência de carências e afetos de vária ordem que “isolam” o individuo. Uma das manifestações de prazer é então adquirir para colmatar as debilidades de ordem emocional e sentimental;
  • Compulsão por jogo - É prática em pessoas com problemas de obsessão. Geralmente tem a ver com o fato de através do jogo sentirem a adrenalina necessárias para terem prazer. Manifesta-se numa persistência descontrolada em jogar recorrentemente apesar de consequências negativas ou do desejo de parar. Claramente torna-se mais perigoso quando envolve quantias monetárias, quantias essas que são por vezes roubadas a amigos e/ou familiares;
  • O vício do sexo virtual – Os indivíduos inseridos neste quadro disfuncional transferem para o desejo sexual muitas das suas frustrações conjugais e familiares. O acesso privilegiado a este novo tipo de erotismo e/ou pornografia tem vindo a crescer, fruto de uma oferta gradativamente mais generosa por parte de sites do género, aliado a quadros como atrás foram referidos de angústia, de ansiedade, fobia social ou com dificuldade em estabelecer relações sérias;
  • Nomofobia – É a fobia causada pelo desconforto ou angústia resultante da incapacidade de acesso à comunicação através de telemóveis ou computadores. Os indivíduos não conseguem estar muito tempo sem se ligarem aos telemóveis, sem enviarem mensagens. Os sinais são visíveis: estar permanentemente a olhar para o ecrã do telemóvel descurando a atenção, e se, for num local de trabalho com máquinas perigosas, podemos efetivamente estar na presença de um acidente de trabalho grave.

Todas estas disfunções acima referidas, podem presumivelmente contribuir para o surgimento de sinistralidade, de doenças relacionados com o trabalho e, do trabalho e aumento do absentismo além da perda de produtividade.

Compete à gestão de recursos humanos e à segurança e saúde promover diariamente condições de trabalho satisfatórias, desde a gestão da carga de trabalho, do grau de autonomia, atribuição de responsabilidades, clima organizacional, condições básicas laborais (remuneração, de preferência paga pontualmente, conciliação com horários dos filhos), possibilidades de aprender (formação profissional) e diversidade e variabilidade de tarefas evitando a monotonia. Sem esquecer claramente uma boa e contínua avaliação de riscos profissionais envolvendo todos os trabalhadores.

Com estes pressupostos, possivelmente o clima melhorará, a produtividade será maior e o vínculo emocional e psicológico do trabalhador para com a empresa será engrandecido.

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António Costa Tavares

António Costa Tavares

Quadro superior da Câmara Municipal de Cascais – formador e docente do ensino superior
António Costa Tavares

António Costa Tavares

Quadro superior da Câmara Municipal de Cascais – formador e docente do ensino superior

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