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Elaboração de um website sobre Saúde Auditiva para Músicos

INTRODUÇÃO/ ENQUADRAMENTO/ OBJETIVO

A música é a combinação de ritmo, harmonia e melodia, conjunto de aspectos que a tornam uma arte. A mesma está sempre presente em nossas vidas, tendo para cada um de nós um significado especifico, mas de uma forma geral relaciona-se ao bem estar e ao prazer. É o elo mais antigo de interação entre seres humanos, sendo utilizada até mesmo como meio de comunicação. Consideramos a música como sendo um som, mas em níveis de intensidade sonora elevados pode resultar perda auditiva progressiva e permanente. Isto dependerá das variáveis intensidade, tempo e periodicidade da exposição.

Os músicos costumam estar expostos a níveis de pressão sonora variados, conforme o estilo de música, condições acústicas do local de apresentação, instrumentos utilizados e posição do músico dentro da banda ou orquestra¹. Todos os sons produzidos por bandas de rock, pop, jazz e orquestra têm o potencial de produzir exposições acima de 85 dB. Os níveis sonoros que atingem os músicos clássicos durante suas apresentações podem variar de 77 a 89,7 dB NPS, podendo chegar a picos de 110 dB NPS².

Nas doenças adquiridas no ambiente de trabalho, a perda auditiva induzida por ruído (PAIR) ou perda auditiva induzida por níveis de pressão sonora elevada (PAINPSE) é uma das mais comuns³. Estas são caraterizadas por uma diminuição gradual da acuidade auditiva decorrente do tempo de exposição, tendo um caráter lento e progressivo, mas irreverssível; para além disso só costuma ser percetível quando atinge um patamar de maior intensidade.  A perda de audição pode implicar também alterações emocionais (como ansiedade e depressão), na medida em que o indivíduo pode se sentir melindrado por não ouvir, isolando-se e alterando eventualmente o seu desempenho social e familiar4.

No Brasil ainda não existe legislação especifica que aborde o risco de perda auditiva nesta categoria profissional. Alguns países como Austrália, Suíça, Itália e Finlândia preocupam-se com os limites de exposição sonora ocupacional em atividades musicais ou na indústria associada ao entretenimento, tanto para os músicos como para o público. Já na Suécia, por exemplo, as recomendações são bem mais específicas. Para os músicos, a intensidade Leq (A) para 8 horas diárias de exposição não deve ultrapassar 115 dB (A) e picos de mais de 140 dB (C); para ouvintes, a intensidade Leq (A) máxima é também de 115 dB (A). Os valores máximos foram assim definidos partindo do pressuposto de que a música não é tão prejudicial para a audição quanto o ruído industrial5,6.

Contudo, nota-se que em sua maioria os músicos não são conscientes destes riscos ou não lhe dão a devida importância, uma vez que seus efeitos não aparecem a curto ou médio prazos e difcilmente consideram o seu produto laboral como equivalente ao ruido, a nível de saúde. Desta forma, para que ocorra a mudança do comportamento, são necessárias ações de promoção e educação em saúde, enfatizando a consciencialização desses profissionais, utilizando os diferentes meios de comunicação social disponíveis. A Promoção de Saúde tem como objetivo atuar junto à comunidade para transformar componentes comportamentais, culturais e hábitos dos indivíduos, visando a melhoria da qualidade de vida e saúde9. Neste contexto, o desenvolvimento de folders e de um site educativo/informativo, aparece como um meio de Promoção e Educação em Saúde. Assim como outras esferas nas quais a sociedade se insere, os meios de comunicação devem atuar nesta busca pelo bem-estar social, fazendo uso de todos os seus recursos para a promoção da saúde. Especialmente na realidade atual, quando os meios de comunicação social ocupam cada vez mais espaço na sociedade, é imprescindível integrá-los também neste contexto da saúde pública e utilizá-los para a superação dos obstáculos ainda existentes, de forma a alcançar o maior número de individuos10.

Internacionalmente são encontrados alguns exemplos de websites com esta finalidade, como é o caso de Dangerous Decibels do Oregon Hearing Research Center e o Wise Ears! do National Institute on Deafness and other Communication Disorders.

No Brasil surgiu a Campanha de saúde pública destinada a reduzir a incidência de Perda Auditiva Induzida pelo Ruído (PAIR) e zumbido, alterando conhecimentos, atitudes e comportamentos das crianças em idade escolar. Em 1997, houve a I Semana Nacional de Prevenção a Surdez, que teve como objetivo educar e conscientizar a população brasileira para os problemas da surdez visando a sua prevenção, reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 1998. Constatou-se que as campanhas desenvolvidas têm aceitação de grande parte da população e são reconhecidas, recebendo prémios e alcançando os objetivos propostos.

Para além disso, as autoras querem realçar que os programas preventivos em relação ao ruído laboral são geralmente generalistas, não destacando os músicos em particular- por exemplo, o desenvolvimento de folder informativo com esse objetivo não foi encontrado pelas mesmas na literatura nacional até o momento. Já na internet, por sua vez, encontra-se a “Campanha Sobre Prevenção Auditiva para profissionais da música” (facebook e instagram), que tem por objetivo sensibilizar as pessoas a abraçarem a causa da Preservação Auditiva; esta conta com o apoio de músicos famosos, que divulgam nas suas redes sociais este tema.

Desta forma, o estudo elaborou um website voltado aos músicos, abordando questões sobre saúde auditiva. No Brasil não há legislação que proteja os músicos quanto aos riscos de perda auditiva, sendo esse mais um fator motivador para criação do site. Sendo assim, o acesso à informação sobre a saúde auditiva potenciará a prevenção e a intervenção, quando necessárias, além de chamar atenção para essa categoria de trabalhadores.

CONTEÚDO/ RESULTADOS

O workshop foi frequentado por músicos que tocavam em bandas de rock, sendo todos os elementos pertecentes ao sexo masculino. Eles atuavam na área geográfica do centro universitário que orientou este projeto e faziam em média cinco apresentações por semana, bem como ensaios musicais de até cinco horas contínuas, uma a duas vezes por semana. A nível de atividades de lazer com ruído, os mesmos não relataram nada para além de ouvir música através de headphones. Os participantes não referiram sintomas para além de acufenos.

Durante as suas atuações metade dos participantes não consumiam bebidas alcoólicas, mas todos o faziam durante os intervalos, alegando geralmente que o objetivo era aquecer a voz.

CONCLUSÕES

Os resultados deste estudo demonstraram a necessidade de atuação para a promoção da saúde por meio dos Programas de Preservação Auditiva, envolvendo medidas de controle do som/ ruído intenso (coletiva e individualmente). Os músicos são profissionais com grande risco ocupacional, pois há uma falta de conscientização da classe, já que a música não é considerada ruído, mas em intensidade elevada pode causar danos irreparáveis para a audição.

O site está disponível em: http://saudeauditiva.wix.com/samb.

BIBLIOGRAFIA

Carvalho R, Munhoz G, Lopes A. Elaboração de um site sobre saúde auditiva para músicos. Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional on line. 2016, volume1, 1-8.

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Artigo em parceria com:

- Rudmila Pereira Carvalho é graduada em Fonoaudiologia, pela Universidade de São Paulo, Faculdade de Odontologia de Bauru (2015). Membro do grupo de pesquisa da prof. Dra. Andréa Cintra Lopes, atuando principalmente com telessaúde. E-mail: rudmila.carvalho@usp.br

- Andréa Cintra Lopes, possui graduação em Fonoaudiologia pela Universidade do Sagrado Coração (1991), mestrado em Distúrbios da Comunicação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1996), Doutorado em Distúrbios da Comunicação Humana pela Universidade de São Paulo (2000). Pós-Doutorado no Laboratório de Acústica e Vibração pela UNESP, Bauru (2009). Professora Associada da Universidade de São Paulo, campus Bauru. Tem experiência na área de Fonoaudiologia, com ênfase em Audiologia, atuando principalmente nos seguintes temas: audição, saúde do trabalhador, saúde auditiva e telessaúde. É pesquisadora do grupo de pesquisa Centro de Pesquisas Audiológicas, credenciado no CNPq. E-mail: aclopes@usp.br

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Graziella Munhoz

Graziella Munhoz

Graziella Simeão Munhoz é graduada em Fonoaudiologia pela Universidade de São Paulo, Faculdade de Odontologia de Bauru FOB/USP (2013).Mestre em Ciências na área de Processos e Distúrbios da Comunicação pela Universidade de São Paulo- Faculdade de Odontologia de Bauru FOB/USP (2016). Endereços para correspondência: Rua Nassin Abrahão, 1-22, Núcleo Habitacional Beija-Flor, Bauru (SP), Brasil, CEP: 17025-430. Possui experiência na área de Fonoaudiologia, com ênfase em Audiologia. Faz parte de grupo de pesquisa da Prof. Dra. Andréa Cintra Lopes, atuando nos seguintes temas: diagnóstico audiológico, saúde do trabalhador, saúde auditiva e telessaúde. E-mail: graziella@usp.br
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Graziella Simeão Munhoz é graduada em Fonoaudiologia pela Universidade de São Paulo, Faculdade de Odontologia de Bauru FOB/USP (2013). Mestre em Ciências na área de Processos e Distúrbios da Comunicação pela Universidade de São Paulo- Faculdade de Odontologia de Bauru FOB/USP (2016). Endereços para correspondência: Rua Nassin Abrahão, 1-22, Núcleo Habitacional Beija-Flor, Bauru (SP), Brasil, CEP: 17025-430. Possui experiência na área de Fonoaudiologia, com ênfase em Audiologia. Faz parte de grupo de pesquisa da Prof. Dra. Andréa Cintra Lopes, atuando nos seguintes temas: diagnóstico audiológico, saúde do trabalhador, saúde auditiva e telessaúde. E-mail: graziella@usp.br

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