enfermagem_trabalho_sst_hst_saudeocupacional_blog_safemed

Enfermagem do Trabalho?!

Icon of [Download] Enfermagem Do Trabalho [Download] Enfermagem Do Trabalho

 INTRODUÇÃO

A lei define que os Enfermeiros do Trabalho ou Ocupacionais (EO) devem ter habilitações adequadas (sendo obrigatórios para empresas com um número de funcionários acima do valor assinalado na legislação, ou seja, 250) mas, por outro lado, a legislação só muito recentemente é que começa a definir que habilitações são essas. As tarefas que estes executam neste contexto são as punções venosas (para realização de hemograma e bioquímica) e outros exames auxiliares de diagnóstico, para os quais não tiveram formação (como o eletrocardiograma, audiograma, espirometria e testes de acuidade visual) e/ou cuidados de primeiros socorros, quantificação de tensão arterial, administração de fármacos e/ ou desenvolvimento de atividades de promoção e educação para a saúde (sobretudo se trabalharem diretamente para a empresa cliente).

Apesar dos diferentes programas curriculares da licenciatura em enfermagem, genericamente, não é dado grande destaque à Saúde Ocupacional (SO), não existindo até há algumas semanas atrás formação pós-graduada direcionada às necessidades específicas destes profissionais.

CONTEÚDO

Consoante o país a Saúde Ocupacional é vista com ângulos muito diferentes: pois se em alguns casos esta é encarada como a abordagem restrita às alterações na saúde que as condições laborais podem acarretar, noutros países ela é vista como um conceito muito mais abrangente, onde também se inserem outros aspetos não laborais que interferem com a saúde do trabalhador e/ou até mesmo englobando a própria família e/ou comunidade.

O Enfermeiro deve deixar claro que o seu trabalho é fundamental para aumentar a produtividade; diminuir os acidentes de trabalho, faltas/ tempo perdido de trabalho; diminuindo assim os custos (diretos e indiretos) da instituição. Para além disso, este profissional pode ter um papel de destaque na reabilitação do funcionário e seguimento da atividade da Seguradora/ Médico assistente.  O Enfermeiro deve tentar quantificar todos os custos, antes e durante a sua atuação, de forma a valorizar o seu trabalho financeiramente.

O próprio acompanhamento direto do trabalhador (via telefone ou por visita domiciliária) facilita a cura, aumenta a satisfação do funcionário e encurta a ausência ao trabalho e eventuais limitações profissionais posteriores, tenha a situação de base etiologia laboral ou não e referenciando para serviços de saúde mais especializados, quando necessário.

Dado o teor dos assuntos existentes entre funcionário e entidade empregadora, parte dos quais alvo de sigilo médico, o EO está em posição privilegiada para, sem nunca quebrar esse ponto, defender os interesses de todas as partes, sobretudo quando aparentemente contraditórios.

O EO deverá antecipar os principais problemas laborais que previsivelmente ocorram no futuro, como o envelhecimento dos trabalhadores e a evolução global dos mercados, por exemplo. Deverá também determinar as áreas em que poderá se diminuir os custos de saúde, de forma a aplicar tais valores em áreas mais carenciadas.

A maioria das empresas considera que contratar empresas externas prestadoras de serviços ocupacionais fica mais económico mas, genericamente, o trabalho sumário desenvolvido não se compara ao que os profissionais de saúde internos produzem. Infelizmente nem todas as instituições conseguem perceber que a ausência de um programa organizado de SO é extremamente dispendiosa.

Alguns exemplos de atividades/ programas desenvolvidos pelo EO

  • Programas de amamentação

É desejável que, antes mesmo do programa se iniciar, exista um documento escrito da empresa, onde este esteja relatado e se explique o porquê da sua existência.

Algumas empresas desenvolveram estes programas porque perceberam que, além de a população ativa ser constituída cada vez mais pelo sexo feminino, a existência deste programa permite o regresso mais precoce ao trabalho, maior qualidade de vida, maior satisfação com a entidade empregadora e, por isso, maior produtividade e melhor imagem social (interna e externa). Os benefícios fisiológicos para a mãe e para o bebé já estão por demais divulgados e não são do âmbito deste trabalho. Para além disso, os custos são (em função dos benefícios) muito escassos e a dificuldade técnica na criação das condições adequadas é diminuta. Para além disso, acredita-se que a descendência dos trabalhadores será mais saudável, pelo que os pais estarão ausentes menos dias no trabalho para lhes prestar cuidados de saúde.

A taxa de amamentação é elevada no pós-parto imediato, mas diminui bastante nas semanas/ meses seguintes devido (entre outros motivos) ao regresso ao trabalho, sobretudo se a tempo inteiro. A quantidade de leite produzida varia com o ritmo de remoção do mesmo da mama, ou seja, com um menor número de mamadas (por exemplo, só quando a mãe estiver em casa, junto do bebé) e sem extração por bomba no horário de trabalho, a quantidade de leite começa a diminuir rapidamente. A recolha de leite deve ocorrer por cerca de 15 a 20 minutos, por cada três a quatro horas, por vezes aproveitando as pausas já instituídas para as refeições habituais de todos os funcionários da empresa. Existem instituições onde as funcionárias têm de fazer a recolha do leite na casa de banho, por não existir nenhum outro sítio melhor.

A sala para a recolha de leite apenas necessita de uma mesa, cadeira, tomada eléctrica, porta com possibilidade de encerramento interior, bem como frigorífico e banca/ lavatório. Geralmente a bomba de extracção do leite é individual e propriedade da funcionária. Será desejável que o ambiente seja acolhedor (por exemplo, proporcionando música agradável e/ ou fotografias afixadas dos bebés).

Os programas de amamentação podem ainda dar apoio técnico ao processo em si, uma vez que muitas mães sentem dificuldade em iniciar e/ ou manter o aleitamento e/ ou a transição para o leite de fórmula, quando assim o quiserem.

O programa de amamentação pode incluir uma maior flexibilidade de horários da mãe, de modo a facilitar a coordenação de tarefas profissionais, familiares, domésticas e pessoais.

  • O “gestor de saúde” e programas globais de educação e promoção para a saúde

Muitas empresas acreditam que se conseguirem alterar o estilo de vida dos seus funcionários (no sentido de diminuir/ eliminar comportamentos não saudáveis), terão funcionários mais satisfeitos, com maior qualidade de vida, menor absentismo e, por isso, mais produtivos.

A mudança comportamental tem eficácia superior quando se aplicam entrevistas motivacionais, em comparação com a técnica clássica, por vezes paternalista e/ ou autoritária, em que o profissional de saúde é que sabe o que é melhor, diminuindo o contributo do indivíduo. Ou seja, em vez de simplesmente dar dados teóricos, este tenta que o funcionário perceba a sua ambivalência/ falta de motivação para alterar algo que ele mesmo já sabia estar errado. Deve-se começar a abordagem pelo item que o trabalhador mais valoriza/ está preocupado, em relação ao seu estado de saúde, mesmo que tenha menor relevância fisiológica que outros problemas óbvios. Esse item pode ser encontrado perguntando o que o trabalhador gostaria de alterar no seu estilo de vida e/ ou qual a sua maior preocupação nesse contexto, estabelecendo-se assim uma empatia. O conhecimento das diferentes fases de preparação para a mudança do modelo de Prochaska e Diclemente são também muito relevantes neste sentido.

 Além de fornecer informação e proporcionar um profissional de saúde que oriente estes programas, a entidade empregadora ainda pode dar incentivos extra à alteração do estilo de vida (como prémios, acréscimos salariais, folgas, férias). Os temas mais tipicamente abordados neste contexto são o sedentarismo/ atividade física, diabetes, obesidade, hipertensão arterial e outras doenças cardiovasculares; bem como ansiedade/ stress e respetivo copping, mais recentemente.

No campo nutricional/ obesidade, o EO poderá, por exemplo, sugerir/ orientar quais os alimentos e bebidas disponíveis em serviços de bar e/ou máquinas de venda automática.

Para além da promoção de um estilo de vida saudável, o EO está também habilitado a monitorizar as doenças crónicas já diagnosticadas; até porque a população ativa está cada vez mais envelhecida.

Algumas empresas têm nos seus quadros internos EOs ou contratam os serviços destes através de uma empresa externa, de forma a que os seus funcionários tenham disponíveis (pessoalmente ou via telefone) o apoio de enfermagem para orientar questões de saúde (profissionais e pessoais); de forma a minorar o absentismo, facilitar a referenciação para outros serviços de saúde e aumentar a qualidade de vida e satisfação do funcionário (e sua família), com uma óptima relação custo benefício. Alguns autores defendem pois que o âmbito de actuação do EO deveria ser alargado aos familiares. Aliás, as visitas domiciliárias podem proporcionar informações valiosas acerca do indivíduo, família e comunidade. O EO pode ser ainda o elo de contato ideal entre a entidade empregadora, serviços de saúde externos e o trabalhador, facilitando intensamente a reabilitação pós-acidente, doença ou cirurgia e o retorno ao trabalho, mais rapidamente e em melhores condições, como já se mencionou.

  • Cessação tabágica

O EO pode orientar quase todos os casos de desabituação tabágica, melhorando a saúde global do trabalhador, a qualidade do ar interior e a produtividade, diminuindo também o risco de alguns acidentes (que podem surgir quando se fuma em ambientes com agentes inflamáveis/ explosivos).

As abordagens terapêuticas breves (ATBs) têm o objetivo de diminuir o primeiro consumo; se este já tiver ocorrido, contribuir então para que tal seja apenas esporádico e não se transforme em dependência. Elas consistem em sessões curtas de 5 a 15 minutos e a maioria dos autores considera que apresentam uma boa relação custo- efectividade.

Para os tabagistas que fumem até 10 cigarros por dia e/ou com baixo patamar de dependência, a primeira opção terapêutica implica o não uso de fármacos, como as técnicas de paragem abrupta (mas eventualmente com abstinência mais intensa) ou redução de um cigarro por semana (muito melhor aceite e tolerada), acrescidas das técnicas comportamentais altamente eficazes também. Quase todos os casos que exigirão medicação, esta é de venda livre, pelo que não é necessária a prescrição médica.

A semiologia mais caraterística da abstinência tabágica é a ansiedade e irritabilidade; muito menos frequentemente observam-se insónia, palpitações, depressão, entre outras condições. Uma pequena percentagem de fumadores nunca a sente e outra pequena percentagem vive-a de forma intensíssima e por várias semanas; a grande maioria experiencia-a de forma moderada e por alguns dias a poucas semanas- daí que alguns fumadores parem de fumar sozinhos sem qualquer problema e outros só o consigam fazer com apoio profissional.

  • Alcoolismo

O consumo de álcool aumenta o risco de acidentes, inúmeras doenças, conflitualidade entre colegas/ chefias e problemas na assiduidade e pontualidade.

Existem vários questionários com sensibilidade e especificidade razoáveis e de fácil aplicação; destes podem ser destacados o CAGE, AUDIT, FAST, ASSIST, DAST, NIAAAA  e MAST. Estes devem ser aplicados a todos os funcionários, dado ser um tema em que muito dificilmente o indivíduo procura apoio sozinho, por sua iniciativa, sobretudo numa fase inicial ou intermédia do processo. Em função da fase de preparação para a mudança, existem diversas atitudes a tomar.

Está ao alcance da Enfermagem realizar a abordagem inicial de todos os trabalhadores com dependência alcoólica, podendo orientar os casos mais simples na totalidade e referenciando os restantes.

  • Outras substâncias psicoativas

O consumo de substâncias psicoativas durante o horário de trabalho ou até fora dele, aumenta muito a frequência e gravidade dos acidentes de trabalho, tendo os funcionários pior estado de saúde geral, menor produtividade e, por isso, existirão maiores custos para as empresas. Define-se substância psicoativa como aquela que altera a forma de sentir, pensar e/ou comportar. O efeito depende obviamente não só da substância específica, mas também da dose, consumos anteriores, estado de espírito, profissão, altura e local, presença/ ausência de companhia, mistura ou não com outras substâncias e via de administração. Genericamente pode acalmar, deprimir ou aumentar a ansiedade e irritabilidade, provocando descontração, desinibição ou atitudes violentas e/ou bizarras. Podem também ocorrer alterações na perceção da profundidade, tempo, dimensão, forma e movimento.

A substância psicoativa mais consumida é o café, na medida em que aumenta a energia e a concentração, mas não estão associados efeitos laborais negativos.

Os locais de trabalho são óptimos para lidar com dependências, porque atingem toda a população ativa. Além disso, um posto com vínculo de longa duração e seguro é um forte incentivo para se ultrapassar uma dependência. Os programas de prevenção também devem incluir iniciativas destinadas às famílias dos trabalhadores (sensibilização, educação e aconselhamento), pois a própria produtividade e desempenho profissional desses familiares também pode ficar alterada. A criação de um programa de prevenção laboral é menos dispendiosa que a de um programa de tratamento.

Mais recentemente passou a dar-se mais importância aos trabalhadores com consumos excessivos mas ainda não visivelmente problemáticos em comparação com os verdadeiramente dependentes, porque os primeiros têm mais hipótese de recuperação e são muito mais prevalentes no meio laboral- daí que os programas de prevenção devam receber esta alteração de ênfase, estando ao alcance do EO orientar este processo.

  • Sustentabilidade ambiental

Alguns investigadores também consideram que o EO pode ter um papel determinante no programa ambiental da empresa, trabalhando com os funcionários temas como a redução da produção de desperdícios (reciclando e reutilizando), mantendo o lucro, saúde e segurança.

  • Saúde do viajante

Alguns EOs desenvolveram aptidões nesta área, no sentido de informarem os funcionários das obrigações legais, quais os serviços de saúde locais que podem recorrer e/ou  atitudes de prevenção e medicação/ utensílios a levar, para viagens realizadas quer  a serviço da empresa, quer a nível pessoal.

  • Higiene e Segurança no trabalho

O EO pode ainda ter um papel fundamental na avaliação de riscos, sugestão/ execução de medidas de proteção coletiva e individual, de forma a diminuir as doenças profissionais e os acidentes de trabalho. Em alguns países também realiza parte dos exames de admissão, vigilância periódica e os exames ocasionais de regresso ao trabalho (após doença, cirurgia ou acidente); sendo às vezes também o responsável pela elaboração e execução parcial do plano de emergência.

  • Desconforto térmico/ temperaturas extremas

O EO que trabalha com profissões sujeitas e temperaturas elevadas ou muito elevadas deve estar a par das particularidades deste tipo de trabalho, (in)formando a entidade empregadora e trabalhadores acerca dos principais riscos e respetivas medidas de proteção, nomeadamente o incentivo à aclimatização dos novos  funcionários e à hidratação eficaz; proporcionando roupas adequadas, bem como sistema de circulação de ar/ ventilação, além de sugerir a melhor organização do trabalho em função das tarefas que se podem fazer no interior/ exterior, na melhor hora do dia e na melhor altura do ano, em função dos riscos térmicos e das caraterísticas de cada empresa.

  • Obesidade

A obesidade está a tornar-se cada vez mais frequente devido a uma interação de variáveis; as profissões estão cada vez mais sedentárias (face aos nossos antepassados que praticavam a caça, agricultura, pecuária), tendo fora tempo laboral também uma atividade física muito escassa e totalmente desadequada à ingestão alimentar. Ou seja, não só existe agora muito maior facilidade de adquirir comida, como também surgiram produtos novos nefastos para a nossa saúde, quer pelos seus constituintes, quer por serem “bombas calóricas”. Ainda por cima, estes alimentos são de digestão e absorção rápidas e fáceis, pelo que mais rapidamente o indivíduo sentirá fome e necessitará de comer novamente. Emagrecer torna-se assim complicado, porque quem já tem um estilo de vida verdadeiramente saudável, está sensibilidade para o tema e não precisa de emagrecer e quem não o tem nem quer ter, não está recetivo a mudar. Contudo, o processo não tem quaisquer segredos- o problema é que quase todos os indivíduos procuram soluções rápidas, fáceis e miraculosas, parte das quais sem qualquer fundamento científico, sem qualquer efeito ou então proporcionando apenas resultados discretos e/ou a curto prazo, dado não terem recetividade para a única coisa que funciona: um estilo de vida saudável, ou seja, alimentação e exercício físico adequados. Só ocorre emagrecimento significativo e mantido quando todos os dias as calorias na ingestão são inferiores às gastas pelo somatório entre metabolismo, actividades quotidianas e desporto.

Os indivíduos ficam muito surpreendidos quando se coloca o rótulo de “doença” na obesidade. Quase todos não têm a noção (ou não querem ter) que esta aumenta muito a probabilidade de surgirem diabetes, dislipidemia (alterações do colesterol e/ ou triglicerídeos), hipertensão arterial, enfarte agudo do miocárdio (“ataque do coração”), acidente isquémico transitório (AIT)/ acidente vascular cerebral (AVC) (“tromboses, derrames”) e mais intensa degeneração articular… até alguns cancros são mais frequentes em obesos. Algumas destas patologias associadas (síndroma metabólico) interferem na saúde global do trabalhador, diminuindo a sua capacidade de desempenho e produtividade, aumentando também a probabilidade de surgirem algumas doenças profissionais e/ou acidentes de trabalho, aumentando o absentismo, os “aptos condicionados” e as reformas antecipadas. As faltas, as doenças crónicas e as incapacidades dos trabalhadores obesos irão não só sobrecarregar os restantes funcionários, como exigir mais recursos da empresa para seleção e formação de novos trabalhadores (para os substituir).

O EO pode ser um elemento chave na implementação e desenvolvimento destes programas. Alguns autores defendem que um programa de perda de peso laboral tem maiores aceitabilidade e sucesso, quando comparado aos desenvolvidos noutros contextos; além de que a relação custo- eficácia para a entidade empregadora é muito vantajosa.

  • Preparação para a reforma

A maior parte dos trabalhadores chega a esta fase sem planos específicos, pelo que se podem sentir desorientados. O EO está em posição ideal para trabalhar o tema, envolvendo eventualmente parte dos que se reformaram anteriormente, para que falem da sua própria experiência (atuando terapeuticamente de forma bilateral). Aliás também pode conciliar as necessidades destes funcionários com horários mais flexíveis e/ou em part-time, de forma a facilitar a transição e, simultaneamente, proporcionar um acréscimo salarial; por sua vez, para a entidade empregadora isto poderá ser bem menos dispendioso que recrutar, contratar e formar novos funcionários.

O EO poderá também sugerir que estes funcionários reformados participem em ações de voluntariado diversificado ou até que funcionem como orientadores vocacionais dos mais jovens; além de incentivar, claro, a realização dos sonhos ainda não atingidos. A exploração do eventual novo papel familiar também poderá ser abordado por este profissional de saúde.

  • Lay-offs/ despedimentos

Caso seja necessário dispensar temporaria ou definitivamente os serviços de alguns funcionários, pode caber ao EO (juntamente com os Recursos Humanos) orientar parte do processo, passando a informação aos funcionários e atuando imediatamente nos casos de ansiedade/ depressão eventualmente consequentes e/ou proporcionado algum apoio vocacional na procura de novos postos de trabalho.

  • Ginástica Laboral

Ginástica Laboral é um conjunto de exercícios, selecionados em função dos riscos do trabalho, de forma a compensar as estruturas mais utilizadas e a ativar as não usadas. Poderão estar incluídos exercícios de alongamento/ flexibilidade, respiratórios e/ ou posturais. O programa acarreta inúmeros benefícios diretos para o trabalhador e a entidade empregadora. Para elaborar um programa de Ginástica Laboral tem de se conhecer o processo produtivo e a organização do trabalho. O número recomendado de sessões varia entre três por semana a várias por dia; executadas no local/ horário de trabalho. Não necessita de roupa especial. As sessões podem ser orientadas por um EO. A aderência é determinada pelas crenças dos funcionários; a maioria nem sequer pensa nas consequências negativas para a saúde que o trabalho pode acarretar, sendo complicado assim convencer o funcionário a ter uma atitude de prevenção. A razão custo/ benefício está quantificada em 1/6. Trata-se de uma ferramenta extremamente útil para a Equipa de SO, na medida em que proporciona a diminuição de algumas doenças profissionais e acidentes de trabalho, bem como maior satisfação, motivação e produtividade do funcionário e, consequentemente, também beneficia muito a entidade empregadora.

 

CONCLUSÕES

O EO poderá ter um papel muito importante (para não dizer fundamental), completo e integrativo, numa equipa de SO, desde que bem explorado. Analisando a forma como estes trabalham em diversos países, poder-se-á tentar replicar os aspetos mais positivos de cada local, de forma a construir o melhor perfil de tarefas. Contudo, são também necessárias ações de sensibilização para as empresas prestadoras de serviços nesta área e para as instituições clientes no sentido de estas perceberam esta potencialidade e assim se criar a necessidade real de existirem profissionais com estas caraterísticas no mercado.

 

BIBLIOGRAFIA

  • Há lugar para a enfermagem numa equipa de Saúde Ocupacional?- parte I. Santos, M. Almeida, A. Revista Segurança, 2012/ 3-4, nº 207.
  • Há lugar para a enfermagem numa equipa de Saúde Ocupacional?- parte II. Santos, M. Almeida, A. Revista Segurança, 2012/ 5-6, nº 208.

Artigo elaborado em parceria com: 

Armando Almeida
Docente no Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa
Mestre em Enfermagem Avançada
Especialista em Enfermagem Comunitária

Avalie o artigo
Mónica Santos

Mónica Santos

Licenciada em Medicina; Especialista em Medicina do Trabalho; Especialista em Medicina Geral e Familiar e Mestre em Ciências do Desporto.
Diretora Clínica da empresa Quércia (Viana do Castelo).
A exercer Medicina do Trabalho também nas empresas Cliwork (Maia), Clinae (Braga), Medicisforma (Porto), Sim Saúde (Porto), Servinecra (Porto) e Radelfe (Paços de Ferreira).
Mónica Santos

Mónica Santos

Licenciada em Medicina; Especialista em Medicina do Trabalho; Especialista em Medicina Geral e Familiar e Mestre em Ciências do Desporto. Diretora Clínica da empresa Quércia (Viana do Castelo). A exercer Medicina do Trabalho também nas empresas Cliwork (Maia), Clinae (Braga), Medicisforma (Porto), Sim Saúde (Porto), Servinecra (Porto) e Radelfe (Paços de Ferreira).

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subscribe!

Pode usar estas etiquetas HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>