Ergonomia no posto de trabalho

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Quase dois terços dos trabalhadores da União Europeia afirmam estar expostos a movimentos repetitivos das mãos e dos braços – fatores de risco significativo para lesões musco-esqueléticas (LME) da cervical e dos membros superiores relacionadas com a má postura no trabalho.

Uma boa postura de trabalho é fundamental para prevenir lesões estruturais do corpo humano, nomeadamente de músculos, articulações, tendões, ligamentos e nervos, ou problemas localizados do aparelho circulatório, causadas ou agravadas, principalmente, pela atividade profissional e pelos efeitos das condições imediatas em que essa atividade tem lugar. Uma boa postura é uma postura confortável e em que as articulações estejam naturalmente alinhadas – uma postura neutra. Trabalhar com o corpo numa postura neutra reduz o stresse e a tensão sobre os músculos, os tendões e o esqueleto, e consequência, o risco de os trabalhadores desenvolverem LME.

Para prevenir este tipo de doença profissional é necessário adotar medidas de controlo de modo a eliminar ou reduzir o risco a que os trabalhadores estão expostos.

De seguida, apresento um resumo simplificado com algumas medidas que poderão contribuir para melhorar o desempenho e o bem-estar dos trabalhadores, nomeadamente os trabalhadores do sector administrativo.

A promoção à manutenção das instalações, equipamentos e mobiliário, é um dos aspetos fundamentais para a prevenção de lesões musco-esqueléticas.

Mobiliário

Cadeira

 As cadeiras devem ser ergonómicas, possuindo mecanismos passivos de regulação e apenas alguns comandos manuais de fácil acesso e usabilidade. Deverão verificar-se os seguintes requisitos:

– Ter apoio para as costas (médio/alto) que permita um correcto apoio das zonas lombar e dorsal da coluna;

– Ter assento arredondado à frente e ajustável em altura, possibilitando um total apoio dos pés no solo;

– Ter uma base estável (5 rodas);

– A altura do acento deve ser semelhante à altura poplítea (distância entre o chão e a região posterior do joelho).

Mesa

– As dimensões do tampo devem permitir uma área de trabalho suficiente para conseguir arrumar todos os materiais necessários.

– Os elementos de uso frequente devem estar colocados dentro da área óptima de alcance, enquanto que os menos utilizados devem estar mais distantes.

– O cotovelo do trabalhador deverá estar sensivelmente acima do seu tampo.

– O espaço livre entre a mesa e a cadeira deve permitir uma acomodação confortável das coxas (20 cm a 30cm) e movimentação das pernas.

Monitor

– O monitor deve estar posicionado a cerca de 60 cm de distância do rosto do trabalhador.

– O rebordo superior do monitor deve estar ao mesmo nível dos olhos ou ligeiramente abaixo (10º a 20º).

Teclado

O teclado deve atender às seguintes características:

– Inclinável;

– Independente do écran;

– Ter uma superfície que evite reflexos;

– Localizado em superfície móvel, abaixo do nível da mesa (caso exista).

Rato

– O rato deve ser posicionado de acordo com a lateralidade do trabalhador (esquerdino ou destro) dentro de uma área neutra de alcance e ser colocado sobre uma superfície plana e sem irregularidades.

Portátil

– O computador portátil obriga o utilizador a inclinar-se à frente, sem apoio lombar, curvando os ombros, sujeitando-se a uma elevada compressão das estruturas moles do antebraço e punho.

– O monitor é muito baixo para a maioria dos utilizadores o que induz uma tensão adicional ao nível do pescoço.

– O computador portátil num suporte ajustável em altura, utilizando um segundo teclado externo e um rato, localizados num suporte da secretária, permite a adoção de uma postura mais neutra de todos os segmentos do corpo. Este método mantém as costas apoiadas, os ombros, pescoço e punhos numa postura neutra; sem pressão sobre as estruturas do antebraço e punho.

De seguida apresento um excelente vídeo publicado pela Vodafone, no qual apresenta dicas de ergonomia na utilização do computador.

João Calado

João Calado

Nasceu em 1984, em Lisboa. Licenciado em Engenharia Civil e Mestre em Segurança e Higiene no Trabalho pelo Instituto Politécnico de Setúbal, com tese sobre o tema «Estratégia de Implementação do Sistema de Gestão da Segurança e Saúde do Trabalho». Desenvolve a profissão de Técnico Superior de Segurança no Trabalho, tendo exercido em vários ramos da indústria nomeadamente, construção civil, transformação de cortiça e produção de eletricidade. http://publicasht.blogspot.pt/

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