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Espaços confinados e alguns exemplos de regras de segurança associadas

Nos anteriores artigos, abordando a temática dos Espaços Confinados, e das diferentes categorias de riscos a estes associadas, alguns dos Riscos identificados, prenderam-se com a Toxicidade, a Inflamabilidade e a Concentração de Oxigénio fora do intervalo aceitável.

O desenvolvimento de alguns exemplos de regras de segurança a acautelar, sempre que se realizem trabalhos em espaços confinados, será o tema deste artigo (Nota: mencionamos “alguns exemplos”, pois caso a caso, deverá ser feita uma avaliação rigorosa, quanto às condições de segurança a reunir para a execução dos trabalhos, antes de se iniciarem os mesmos).

Os trabalhos em espaços confinados são considerados trabalhos com riscos especiais, decorrentes do ambiente e condições específicas do local (razões pelas quais, se deve avaliar cada situação, caso a caso). Assim todos os trabalhadores que realizem atividades em Espaços Confinados deverão ter formação.

A entrada em espaços confinados só pode ser feita após a avaliação e pesquisa de gases do local. A medição deverá ser feita à entrada do espaço, na posição central e complementando com medição nos cantos do respetivo compartimento. Deve também ser feita ao nível das vias respiratórias do operador no seu interior. Dever-se-á pesquisar os seguintes gases:

  • O nível de oxigénio;
  • O nível de inflamabilidade (ou explosividade);
  • O nível de toxicidade, para o qual se deverá ter em conta os VLE-MP e VLE – CD, para os gases/parâmetros pesquisados, devendo ser sempre pesquisados os seguintes contaminantes:
    • Gás sulfídrico;
    • Monóxido de carbono;
    • Outros contaminantes, baseados no risco existente e historial do Espaço Confinado em questão.

Os resultados das várias medições deverão ser registados.

Mesmo após a avaliação e pesquisa inicial de gases do local, de um modo geral será necessário dar continuidade à verificação das condições (com avaliação e pesquisa de gases), por permanência de trabalhadores no interior do espaço confinado. É que não obstante a avaliação e pesquisa inicial, poder ter fornecido resultados favoráveis à declaração de atmosfera segura pelo responsável pela operação, podem existir “n” factores que alterem essa condição inicial (que variam caso a caso).

Vários exemplos de actividades que implicam dar continuidade à verificação das condições com avaliação e pesquisa de gases, passam por entre outros:

  • Operações de limpeza, como remoção de lamas de tanques, com libertação de gases e/ou vapores inflamáveis e/ou tóxicos;
  • Trabalhos a quente com o potencial para produzir fumos e/ou gases tóxicos;
  • Trabalhos a quente em locais com o potencial para se formarem atmosferas inflamáveis ou explosivas;
  • Aplicação de pinturas e recobrimentos, resinas epóxicas e outras substâncias que possam produzir vapores inflamáveis e/ou tóxicos.

Nota: O equipamento de avaliação e pesquisa de gases terá de estar devidamente calibrado e deverá ser adequado a ser utilizado em atmosferas potencialmente explosivas.

Deve-se fazer uma inspecção visual cuidada ao local antes de entrar. Nessa inspecção deverá ser prestada particular atenção à existência de:

  • Manchas de óleo;
  • Detioração de paredes e equipamentos;
  • Tubagens;
  • Existência de resíduos;
  • Existência de bolsas de água estagnada.

Decorrente da primeira inspecção visual ao local antes de entrar, deve-se seguir uma outra já dentro do espaço confinado.

Deverá ser garantida a iluminação adequada para a realização dos trabalhos.

Um outro aspeto fundamental que deve estar assegurado, sempre que se realizem trabalhos em espaços confinados, é a comunicação.

Durante os trabalhos em ambientes confinados deverá existir vigilância permanente de outros trabalhadores. E igualmente monitorização contínua do ambiente interior.

Os trabalhadores deverão dispor de meios de comunicação em contínuo – sendo que uma vez mais, sujeito a avaliação caso a caso, poderá ser necessário que os meios de comunicação sejam adequados a ser utilizados em atmosferas potencialmente explosivas.

A selecção dos “n” equipamentos de proteção a utilizar, deverá ser definido caso a caso e depende em grande medida da natureza dos riscos a que os trabalhadores estarão expostos, podendo passar a título exemplificativo, entre outros, por:

  • Fato de proteção tipo tyvek;
  • Máscara de protecção respiratória com filtro composto para gases/vapores (ou com ar assistido em caso de necessidade);
  • Óculos de proteção (para a probabilidade de projeção materiais/aerossóis);
  • Luvas de proteção;
  • Botas de proteção S3 antiestáticas;
  • Arnês (meio de resgate e anti-queda);
  • Capacete.

Todos os equipamentos a utilizar (incluindo os EPI – equipamentos de protecção individual), deverão ser verificados previamente, para se assegurar, estarem em boas condições de funcionamento.

 

Por último, alerta-se para a questão da ventilação, que no entanto deve ser sempre avaliada a sua pertinência. O recurso a operações de ventilação é uma das medidas mais habituais (e eficazes) no controlo de atmosferas perigosas, durante a execução dos trabalhos em Espaços Confinados, sendo que, de um modo geral, os objectivos gerais das ações de ventilação são:

  • A introdução e o movimento de ar fresco num espaço;
  • A redução de gases e/ou vapores tóxicos;
  • O controlo de temperatura no espaço.

Nota final: Terão obrigatoriamente de ser respeitadas todas as sinaléticas e avisos de segurança e cumpridos os respetivos procedimentos durante a execução dos trabalhos em Espaços Confinados.

.

Bibliografia

www.act.gov.pt Campanha “Trabalho em Espaços Confinados”.

Norma NP 1796:2007 (Segurança e Saúde do Trabalho – Valores Limite de Exposição Profissional e Agentes Químicos)

 

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Francisco Tiago Clamote

Francisco Tiago Clamote

Formado em Engenharia e Ciências pela FEUP e FCUL, possui 16 anos de experiência enquanto Técnico, Consultor, Auditor e Formador em diversas organizações.A sua atividade desenvolveu-se na implementação e melhoria contínua de Sistemas de Gestão da Qualidade, Ambiente e Saúde e Segurança, de acordo com as normas ISO 14001, OSHAS 18001, ISO 9001, ISO 22000 e NP 4413. Atualmente é Técnico Superior de SST, na Amarsul, SA.
Linkedin: https://pt.linkedin.com/in/francisco-tiago-clamote-7411525/pt
Francisco Tiago Clamote

Francisco Tiago Clamote

Formado em Engenharia e Ciências pela FEUP e FCUL, possui 16 anos de experiência enquanto Técnico, Consultor, Auditor e Formador em diversas organizações. A sua atividade desenvolveu-se na implementação e melhoria contínua de Sistemas de Gestão da Qualidade, Ambiente e Saúde e Segurança, de acordo com as normas ISO 14001, OSHAS 18001, ISO 9001, ISO 22000 e NP 4413. Atualmente é Técnico Superior de SST, na Amarsul, SA. Linkedin: https://pt.linkedin.com/in/francisco-tiago-clamote-7411525/pt

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