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Espaços Confinados e Atmosferas Perigosas Associadas

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No anterior artigo, abordando a temática dos Espaços Confinados, e das diferentes categorias de riscos a estes associadas, um dos Riscos identificados, foi a possível existência de Atmosferas Perigosas associadas a este tipo de locais.

Em termos gerais, uma atmosfera é considerada perigosa quando uma das seguintes condições se verifica:

  • Concentração de Oxigénio fora do intervalo aceitável;
  • Presença de gases e vapores inflamáveis numa concentração em que se admita ser possível a sua inflamação na presença de uma fonte de ignição (Inflamabilidade);
  • Presença de substâncias perigosas numa concentração em que se admita ser possível que a sua interação com o Homem provoque efeitos negativos para a saúde humana (Toxicidade).

Vamos pois neste artigo debruçar-nos sobre alguma destas condições acima descritas.

Oxigénio

Ao nível do mar, a concentração normal de Oxigénio é de 20,9%, sendo considerado que o intervalo aceitável da concentração deste gás poderá variar entre 19,5 e 22%. Fora deste intervalo, as atmosferas consideram-se de risco, já que têm um potencial de dano muito grave para o ser humano não protegido, risco que no limite pode chegar à Morte.

Em termos de concentrações e consequências daí resultantes, há a considerar os seguintes patamares em termos de Oxigénio:

  • Acima do limiar superior, em concentrações de Oxigénio acima de 22%, este gás tem efeitos tóxicos, que se manifestam por euforia e hiper-atividade, sendo que estes sintomas se vão agravando de forma gradual, até produzirem efeitos semelhantes a uma embriaguez profunda e perda de conhecimento;
  • Com concentrações igual ou acima de 26%, pode ocorrer a combustão espontânea da maior parte dos combustíveis (pois a atmosfera em questão, é rica em comburente, ou seja em Oxigénio);
  • Por outro lado e dado que os 19,5% de Oxigénio, correspondem ao limiar inferior do intervalo aceitável, abaixo deste nível, começam a verificar-se os seguintes sintomas:
    • Dificuldades de coordenação motora;
    • Falhas de atenção;
    • Dificuldades de concentração.
  • Com concentrações de 12%, surge a cianose, que se manifesta pelo tom azulado dos lábios e de outros sintomas como a sonolência e a desorientação, surgindo a ocorrência de vómitos ao atingir-se concentrações na ordem de 10%.
  • Ao atingir-se concentrações de Oxigénio na ordem dos 8%, ocorre a perda de consciência, que será fatal se não for rapidamente tratada.

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Inflamabilidade

O Domínio da Inflamabilidade é a percentagem de gás ou vapor de uma substância inflamável que em mistura com o ar, se irá inflamar (ou explodir) se lhe for adicionada energia de ativação.

Assim sendo:

  • Se ocorrer uma insuficiente percentagem de gás inflamável, diz-se que essa mistura é “demasiado pobre” para que possa ocorrer uma combustão;
  • E por outro lado, se estiver presente um gás inflamável com uma percentagem demasiado elevada diz-se que a mistura é “demasiado rica”  para que possa ocorrer uma combustão;

De onde se conclui que, quando uma concentração de gás inflamável se encontra entre uma gama de valores em que pode ocorrer uma combustão, se considera que está dentro dos limites de inflamabilidade ou explosividade.

Considera-se assim pois:

  • O limite inferior de inflamabilidade (ou explosividade) como o LII/LIE de um gás ou vapor que corresponde à concentração mínima desse gás ou vapor em relação ao ar, que se inflamará na presença de uma fonte de ignição.
  • O limite superior de inflamabilidade (ou explosividade) como o LSI/LSE de um gás ou vapor que corresponde à concentração máxima desse gás ou vapor em relação ao ar, que se inflamará na presença de uma fonte de ignição.

É pois lícito afirmar que os gases ou vapores com um LII/LIE muito baixo, ou com um Domínio da Inflamabilidade muito alargado, são os que apresentam maior risco.

Note-se que o facto de se estar acima do valor de LSI, não significa necessariamente que se está em segurança, pois em caso de ocorrer uma diminuição da concentração (p.e. por “entrada” de ar fresco), pode rapidamente atingir-se o Domínio da Inflamabilidade e ocorrer uma explosão caso ocorra a presença de uma fonte de ignição.

Igualmente uma operação com uma concentração muito próxima do limite inferior de inflamabilidade, ainda que abaixo deste valor, deve ser considerada perigosa e deve ser interdita, pois caso a concentração suba subitamente pelo acréscimo de produção de gases ou vapores inflamáveis, pode atingir-se o Domínio da Inflamabilidade e ocorrer uma explosão, igualmente caso ocorra a presença de uma fonte de ignição.

Abaixo enumeram-se alguns exemplos de gases ou vapores inflamáveis:

  • Metano;
  • Propano;
  • Hidrogénio;
  • Acetileno;
  • Gasolina.

O metano (CH4) é um dos gases inflamáveis mais comuns, sendo um dos principais constituintes do gás natural e do biogás gerado p.e. nos aterros sanitários ou em centrais de valorização de orgânica, e decorre da decomposição da matéria orgânica. Trata-se de um gás:

  • incolor e inodoro;
  • possui um limite inferior de inflamabilidade na ordem dos 5%;
  • possui um limite superior de inflamabilidade na ordem dos 15%.

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Regra Básica:

A atmosfera de um determinado local é considerada segura, do ponto de vista exclusivamente, da Inflamabilidade, e poderá ser autorizada a operação no seu interior, quando a concentração de gases ou vapores inflamáveis no interior desse local for inferior a 10% do limite inferior de inflamabilidade (ou explosividade) – LII/LIE da mistura.

O desenvolvimento de algumas medidas preventivas (nomeadamente procedimentos) será tema para um próximo artigo.

Bibliografia

  • www.act.gov.pt – Campanha “Trabalho em Espaços Confinados”.
  • Portaria nº 762/2002 de 1 de Julho – Regulamento de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho na exploração dos sistemas públicos de distribuição de água e drenagem de águas residuais
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Francisco Tiago Clamote

Francisco Tiago Clamote

Formado em Engenharia e Ciências pela FEUP e FCUL, possui 16 anos de experiência enquanto Técnico, Consultor, Auditor e Formador em diversas organizações.A sua atividade desenvolveu-se na implementação e melhoria contínua de Sistemas de Gestão da Qualidade, Ambiente e Saúde e Segurança, de acordo com as normas ISO 14001, OSHAS 18001, ISO 9001, ISO 22000 e NP 4413. Atualmente é Técnico Superior de SST, na Amarsul, SA.
Linkedin: https://pt.linkedin.com/in/francisco-tiago-clamote-7411525/pt
Francisco Tiago Clamote

Francisco Tiago Clamote

Formado em Engenharia e Ciências pela FEUP e FCUL, possui 16 anos de experiência enquanto Técnico, Consultor, Auditor e Formador em diversas organizações. A sua atividade desenvolveu-se na implementação e melhoria contínua de Sistemas de Gestão da Qualidade, Ambiente e Saúde e Segurança, de acordo com as normas ISO 14001, OSHAS 18001, ISO 9001, ISO 22000 e NP 4413. Atualmente é Técnico Superior de SST, na Amarsul, SA. Linkedin: https://pt.linkedin.com/in/francisco-tiago-clamote-7411525/pt

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