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Espaços Confinados e Toxicidade associada a Atmosferas Perigosas

Nos anteriores artigos, abordando a temática dos Espaços Confinados, e das diferentes categorias de riscos a estes associadas, um dos Riscos identificados, foi a possível existência de Atmosferas Perigosas associadas a este tipo de locais, sendo que uma das questões que se coloca é a Toxicidade.

Relembramos que a Toxicidade, se refere à presença de substâncias perigosas numa concentração em que se admita ser possível que a sua interação com o Homem, provoque efeitos negativos para a saúde humana.

Vamos pois neste artigo, debruçar-nos sobre alguma destas condições acima descritas.

Toxicidade

Uma “atmosfera tóxica”, contém contaminantes que podem causar dano ao Homem, afetar o sistema nervoso central, ou mesmo provocar a morte, por inalação, ingestão ou por absorção cutânea.

É costume adotarem-se valores limite de exposição, que visam prevenir a ocorrência de efeitos crónicos e a longo prazo dessa mesma exposição. Ou seja, em termos de perigosidade na medição de uma atmosfera, dever-se-á ter em conta os valores referentes à exposição ocupacional (TLV – Threshold Limit Values ou VLE – Valores Limite de Exposição) para verificar se atmosfera em análise é, ou não segura.

O Valor Limite de Exposição – média ponderada (VLE-MP) é a concentração média ponderada para um dia de trabalho de 8 horas e uma semana de 40 horas, à qual se considera que desde que se esteja abaixo desse limiar, praticamente todos os trabalhadores possam estar expostos, dia após dia sem efeitos adversos para a saúde.

A referência mais comum é a Norma NP 1796:2014 (Segurança e saúde do trabalho – Valores limite e índices biológicos de exposição profissional a agentes químicos).

Ainda em termos de Valores Limite de Exposição, deve-se ter em conta quer o Valor limite de exposição – curta duração (VLE-CD), quer o Valor limite de exposição – concentração máxima (VLE-CM).

Sendo que o Valor limite de exposição – curta duração (VLE – CD) é a concentração à qual se considera que praticamente todos os trabalhadores possam estar repetidamente expostos por curtos períodos de tempo, desde que o valor de VLE-MP não seja excedido e sem que ocorram efeitos adversos, tais como:

  1. irritação;
  2. lesões crónicas ou irreversíveis dos tecidos;
  3. efeitos tóxicos dependentes da dose ou taxa de absorção;
  4. narcose que possa aumentar a probabilidade de ocorrência de lesões acidentais, auto-fuga diminuída ou reduzir objectivamente a eficiência do trabalho.

O VLE-CD é definido como uma exposição VLE-MP de 15 min. que nunca deve ser excedida durante o dia de trabalho, mesmo que a média ponderada seja inferior ao valor limite. Exposições superiores ao VLE-MP e inferiores ao VLE-CD não devem exceder os 15 min. e não devem ocorrer mais do que 4 vezes por dia. Estas exposições devem ter um espaçamento temporal de 60 min., pelo menos.

O Valor limite de exposição – concentração máxima (VLE – CM) é a concentração que nunca deve ser excedida durante qualquer período da exposição

Na prática da Higiene do Trabalho, sempre que não seja possível efetuar uma amostragem instantânea, pode a mesma efetuar-se durante um período de tempo que nunca deve exceder 15 min.. No caso de agentes que  possam provocar irritação imediata para exposições curtas, a amostragem deve ser instantânea.

Um outro aspeto importante a ter em conta na avaliação da Toxicidade de uma atmosfera, é a possibilidade de se poderem encontrar presentes vários produtos tóxicos no mesmo espaço, pelo que se deverá ter em conta o efeito combinado da presença desses mesmos produtos tóxicos, com recurso à seguinte expressão:

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Sendo que:

– Cn = Concentração medida de uma substância presente na atmosfera

- Tn = Valor limite para a substância em questão

Ou seja, sempre que o resultado é superior a 1, a atmosfera deve ser considerada perigosa, e deverão ser tomados procedimentos de segurança.

O desenvolvimento de alguns destes procedimentos de segurança será tema para um próximo artigo.

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Bibliografia

  • www.act.gov.pt Campanha “Trabalho em Espaços Confinados”.
  • Norma NP 1796:2014 (Segurança e saúde do trabalho – Valores limite e índices biológicos de exposição profissional a agentes químicos)

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Francisco Tiago Clamote

Francisco Tiago Clamote

Formado em Engenharia e Ciências pela FEUP e FCUL, possui 16 anos de experiência enquanto Técnico, Consultor, Auditor e Formador em diversas organizações.A sua atividade desenvolveu-se na implementação e melhoria contínua de Sistemas de Gestão da Qualidade, Ambiente e Saúde e Segurança, de acordo com as normas ISO 14001, OSHAS 18001, ISO 9001, ISO 22000 e NP 4413. Atualmente é Técnico Superior de SST, na Amarsul, SA.
Linkedin: https://pt.linkedin.com/in/francisco-tiago-clamote-7411525/pt
Francisco Tiago Clamote

Francisco Tiago Clamote

Formado em Engenharia e Ciências pela FEUP e FCUL, possui 16 anos de experiência enquanto Técnico, Consultor, Auditor e Formador em diversas organizações. A sua atividade desenvolveu-se na implementação e melhoria contínua de Sistemas de Gestão da Qualidade, Ambiente e Saúde e Segurança, de acordo com as normas ISO 14001, OSHAS 18001, ISO 9001, ISO 22000 e NP 4413. Atualmente é Técnico Superior de SST, na Amarsul, SA. Linkedin: https://pt.linkedin.com/in/francisco-tiago-clamote-7411525/pt

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