Iluminação nos Postos de Trabalho

A Iluminação no Local de Trabalho é tratada, do ponto de vista da Higiene do Trabalho, como um risco físico passível de afetar o trabalhador em todos os fatores que um Técnico de HST pretende controlar.

Uma iluminação deficiente ou desadequada ao local de trabalho, pode degradar a saúde física ou psicológica de um trabalhador, afetar o seu rendimento, ou provocar um acidente de trabalho. Como tal, a Iluminação no Local de Trabalho deve ser considerada como um risco, que, consoante as características dos locais e as circunstâncias, pode ser tão ou mais perigosos que o risco das substâncias explosivas, por exemplo.

Para abordar o risco da Iluminação no Local de Trabalho, o Técnico de HST, deve ter, além dos conhecimentos gerais de Higiene e Segurança, conhecimentos técnicos gerais, específicos do tema, tais como:

  • Grandezas relacionadas com iluminação (Luminância, Iluminância, Tc).
  • Fenómenos de propagação, reflexão, absorção, difusão da luz.
  • Tipos de aparelhos de iluminação e suas características

Desta forma o objetivo do Técnico de HST será o seguinte:

Controlar determinadas variáveis para obter uma iluminação adequada, que proporcione um bom ambiente físico-laboral, e que não coloque em risco a saúde, segurança e produtividade do trabalhador.

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Luz

A zona visível do espectro é ínfima quando comparada com a sua amplitude. No entanto, esta pequena área é fundamental para a vida humana e para a sua sobrevivência num universo cheio de diferentes formas de energia radiante às quais o ser humano é radicalmente cego.

No espectro de radiações eletromagnéticas, as radiações visíveis ao olho humano (luz), é uma pequena parte, tal como está demonstrado na imagem seguinte.

Imagem nº1 – Espectro de radiações eletromagnéticas

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Fotometria

Fluxo Luminoso ou Potência Luminosa – Φ

Quantidade de luz emitida (energia luminosa – Wrad) por uma fonte luminosa em todas as direções por unidade de tempo (t), medida logo à saída da fonte. A unidade é o lúmen – lm.

Intensidade luminosa – I

É o fluxo luminoso F (fornecido pelo fabricante do aparelho) emitido numa determinada direçãoW (ângulo sólido medido em esterradianos – sr), dada pela relação entre uma superfície cortada numa esfera e o quadrado do raio dessa esfera. A unidade é a candela – cd.

Iluminância – E

É a medida do fluxo luminoso Fincidente por unidade de superfície S. A unidade de medida é o lux – lx.

Os Técnicos de HST servem-se desta grandeza para adequarem o nível de iluminação com a atividade num determinado espaço. Trata-se de um conceito muito importante para o cálculo luminotécnico.

Luminância – L

É a medida do fluxo luminoso emitido, transferido ou refletido numa determinada direção por unidade de superfície perpendicular ao fluxo. A unidade é o apostilbs – asb ou a candela por centímetro quadrado – cd/cm2, onde 1 asb = 1/p cd/cm2.

Contraste – C

É a relação entre a luminância do objeto e a luminância do plano de fundo. Pode ser calculado com a fórmula apresentada.

Reflexão

É um parâmetro que traduz a medida da porção de luz refletida por uma dada superfície. A reflexão é uma propriedade intrínseca dos materiais, e é tratada como um coeficiente, que relaciona o valor do fluxo luminoso incidente sobre uma determinada superfície, com a percentagem desse fluxo que é refletida. Por exemplo, se todo o fluxo incidente for refletido, o coeficiente de reflexão dessa superfície é igual a 1 (um espelho).

A reflexão pode ser:

  • Direta – Os ângulos de incidência e de reflexão dos raios de luz são iguais (superfície muito lisa e polida).
  • Difusa – As superfícies refletoras só brilham sob certos ângulos quando iluminadas (reflexos nítidos na superfície de um material baço).
  • Mista – Mistura de reflexão direta com reflexão difusa.

Imagem nº2 – Tipos de Reflexão

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Tipos de Iluminação

Quanto à Fonte

Do ponto de vista da fonte existem dois tipos distintos de iluminação, a iluminação natural e a iluminação artificial.

A iluminação natural é aquela que provém do sol, de forma direta ou indireta, e é composta por todos os comprimentos de onda do espectro da radiação visível.

A iluminação artificial provém de uma fonte de energia que não o sol, e a gama de comprimento de onda do espectro da radiação visível abrangida varia consoante a fonte.

As fontes de iluminação artificial que interessam ao estudo da iluminação no local de trabalho são as lâmpadas.

Existem vários tipos de lâmpadas, de acordo com a tecnologia utilizada para transformar energia elétrica em radiação luminosa, variando no comprimento de onda abrangido, no fluxo luminoso emitido, e principalmente no rendimento elétrico.

Os tipos de lâmpadas utilizadas na iluminação de locais de trabalho são:

  • Incandescentes.
  • Fluorescentes.
  • Vapor de Sódio.
  • Vapor de Mercúrio.
  • Iodetos Metálicos.

Nesta análise não são incluídas lâmpadas especiais como lâmpadas infravermelhos, ou ultravioleta, que são utilizadas em locais de trabalho como, zonas de deteção de falhas em linhas de produção, ou câmaras de revelação fotográfica, porque o objetivo dessas lâmpadas não é o de iluminar o local de trabalho.

As lâmpadas incandescentes são as que emitem uma luz mais próxima das características da luz solar. No entanto o seu fraco rendimento torna a sua utilização inviável na iluminação de espaços amplos. Devem ser utilizadas em iluminação de espaços específicos de trabalho, como candeeiros de mesa, bancada de trabalho de precisão.

As lâmpadas fluorescentes, devido ao seu bom rendimento, e boa restituição de cores, são as lâmpadas mais adequadas para iluminação geral dos espaços de trabalho fechados, como escritórios, salas de reunião, corredores, sanitários, oficinas, pequenos armazéns.

As lâmpadas de vapor sódio, ou vapor de mercúrio, devido ao seu elevado rendimento, são utilizadas na iluminação de espaços amplos, como grandes armazéns, hangares, e na iluminação exterior. O nível de restituição de cores é baixo.

As lâmpadas de iodetos metálicos, devido ao elevado nível de fluxo luminoso que conseguem produzir, são utilizadas também na iluminação de espaços amplos, e exteriores, mas apenas em situações temporárias, devido ao seu rendimento não ser tão bom como o das lâmpadas de vapor sódio ou mercúrio. São utilizadas em projetores de obras, cais de carga e descarga, áreas exteriores de movimentação de máquinas.

Quanto ao Recetor

Do ponto de vista do recetor, existem quatro tipos de iluminação, que dependem da forma e direção com que a luz incide sobre o recetor

  • Iluminação Direta: O fluxo luminoso incide diretamente sobre o recetor.
  • Iluminação Indireta: A luz incide sobre o recetor por meio de reflexão em outras superfícies ou corpos.
  • Iluminação Semi-direta: A luz incide sobre o recetor de forma direta e indireta, sendo a percentagem de luz direta superior à percentagem de luz indireta.
  • Iluminação Semi-indireta: A luz incide sobre o recetor de forma direta e indireta, sendo a percentagem de luz indireta superior à percentagem de luz direta.

A implementação dos diferentes tipos de iluminação é conseguida com a manipulação de alguns fatores, como por exemplo: tipo de armadura, cores de paredes e tetos, disposição das entradas de luz, utilização de materiais refletores ou difusores.

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Visão Humana

Para realizar uma correta avaliação da iluminação de um local de trabalho, é necessário ter a noção da forma como funciona a visão humana.

A visão humana é um sistema complexo assegurado por três operações principais, que realizadas em conjunto, permite ao olho transformar luz em impulsos eletroquímicos enviados ao cérebro através do nervo óptico. A operação óptica rececionista a energia luminosa e encaminha-a para a retina. A operação sensorial transforma a imagem luminosa projetada na retina em impulsos eletroquímicos. A operação motora permite dirigir e fixar o olhar sobre um ponto específico.

O olho é recoberto por uma membrana espessa e opaca denominada escleria, onde são ligados os músculos responsáveis pelos movimentos do olho. Na parte frontal existe uma zona transparente denominada córnea. Atrás da córnea fica a íris, que funciona como um diafragma, que regula a entrada de luz, no olho.

A abertura por onde a luz entra chama-se pupila. A pupila é comandada por um músculo que regula o seu diâmetro, permitindo-o variar de um a oito milímetros, conforme a intensidade da luz incidente. O espaço entre a córnea e a íris é denominado câmara anterior.

Em contato com a parte posterior da íris encontra-se o cristalino, um corpo transparente com a forma de lente, circundado pelo músculo ciliar. Todo o espaço situado atrás do cristalino, circundado pela parede interior do olho é cheio de uma substância gelatinosa transparente, denominado humor vítreo.

A parede interior do olho chama-se retina, sendo a sua zona mais sensível, perto da ligação com o nervo óptico, a fóvea.

Imagem nº3 – Visão humana

Quando olhamos para um objeto luminoso ou iluminado, alguns dos infinitos raios de luz dele provenientes, entram no olho através da pupila. Depois de serem refratados nos diversos meios transparentes, esses raios formam sobre a retina uma imagem real do objeto.

Na retina existem dois tipos de células fotossensíveis, os cones e os bastonetes. Os cones são mais sensíveis às cores e os bastonetes recebem melhores tonalidades de cinza e preto. Essas células transformam a energia luminosa incidente em impulsos electro químicos. De cada célula parte uma ramificação, formando todas o nervo óptico, que dirige os impulsos até ao cérebro, onde são retirados os elementos necessários para construção de imagens compreensíveis do objeto para o qual estamos a olhar.

Um dos fatores importantes da visão humana é a capacidade de acomodação, que consiste na capacidade de focar os objetos. Esta capacidade é controlada pelo músculo ciliar, que altera a curvatura do cristalino consoante a distância a que se encontra o objeto a focar.

Quando o olho está em repouso, o músculo ciliar fica relaxado e o cristalino adota a curvatura mínima dizendo-se nesse caso que o olho está acomodado para o infinito. Quando o músculo ciliar se contrai, a curvatura do cristalino fica mais pronunciada, permitindo formar sobre a retina imagens nítidas de objetos até uma distância mínima ao olho (acomodação para o ponto próximo). Para conseguir ver nitidamente a essa distância é necessário algum esforço.

A distância do ponto próximo vai aumentando progressivamente com a idade, devido ao enrijecer do cristalino.

tabela2

Tabela nº1 – Distância do ponto próximo em relação às idades

 

Existem vários erros de óptica que podem ser genéticos, ou causados por uma utilização deficiente do aparelho visual. Essa utilização deficiente pode passar por estar exposto a condições de iluminação inadequadas.

Os erros de óptica mais comuns são:

  • Presbiopia – Perda de capacidade de acomodação por endurecimento do cristalino com a idade.
  • Astigmatismo – Alterações dos contornos da córnea ou do cristalino, com pontos de focagem diferentes consoante o ângulo de incidência.
  • Hipermetropia – Focagem atrás da retina, que origina falha na visão proximal, podendo deve ser corrigida com lente convexa.
  • Miopia – Focagem antes da retina, que origina falha na visão à distância, podendo ser corrigida com lente côncava.

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Iluminação adequada

Embora as recomendações sobre níveis de iluminação (iluminâncias) para diferentes países apresentem algumas discrepâncias, pode afirmar-se que, de um modo geral, os valores recomendados para os diferentes ambientes e tarefas a executar oscilem entre 150 lux e 2000 lux. São valores bastante inferiores aos obtidos com luz natural, constituindo assim uma solução de compromisso entre os valores que seriam convenientes e as limitações de cariz económico e técnico.

Existem tabelas de valores de iluminâncias para cada tarefa e por ramo de atividade:

Para análise dos valores obtidos nas instalações da K-med XXI, deve ter-se em consideração a Norma DIN 5035 que descreve detalhadamente os níveis de iluminação, mencionando exemplos de atividades (tabela 1).

taela2

Tabela 2 – Níveis de iluminação por atividade (Norma DIN 5035)

A norma ISSO 8995:1989 estabelece requisitos de iluminação interior de locais de trabalho para diferentes tarefas. Os valores apresentados são funções das exigências visuais de tarefas, da experiência prática e da eficiência energética. A norma apresenta critérios que visam o desempenho visual satisfatório e o bem-estar dos trabalhadores.

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Reflexão

Ao longo deste tempo de auditorias e tempo passado na empresa, o problema da iluminação encontra-se presente em vários locais e em vários setores de trabalho, ou por insuficiência ou por encadeamento e reflexão.

Através do luxímetro que é um aparelho utilizado para medir o nível de iluminação dos ambientes. Cada ambiente como já pode observar anteriormente tem, de acordo com as Normas técnicas, um nível de iluminação mínimo adequado para a realização das tarefas a que se destina.

Imagem 4 – Luxímetro

Numa sala de cirurgia podemos observar uma estrutura com refletores utilizados para viabilizar uma adequada iluminação na área operacional, pois o trabalho de um cirurgião é mais rigoroso que outra função.

Para resolver estes problemas de forma mais económica e mais simples, aconselha-se aos clientes alterarem pequenos aspetos que farão toda a diferença, tais como a mudança da disposição das secretárias, com o objetivo de resolver os reflexos nos ecrãs dos computadores e os encadeamentos dos funcionários. No caso da fraca iluminação quando não é possível alterar o tipo de iluminária e/ou alterar a parte elétrica do espaço, o que se recomenda muitas vezes aos clientes é o uso de outros pontos de luz como o caso de candeeiros de pé para assim reforçar a iluminação do local. Com as vistorias que realizei pode observar e medir a iluminação do posto de trabalho e assim pude observar que aquela intensidade de iluminação ficava muito a quem dos valores recomendados pelaNorma DIN 5035. O problema é que os empregadores não se apercebem da importância da luz nos diversos postos de trabalho. Nós enquanto profissionais de Higiene e Segurança no Trabalho o nosso papel é alertar os clientes para este problemática para que a possam corrigir o mais rapidamente possível. Para tal podemos reforçar o nosso alerta com a seguinte legislação, o decreto-lei nº243/86 que regula a higiene e segurança no trabalho nos estabelecimentos comerciais, escritórios e serviços e a portaria nº53/71 (Alterada pela portaria nº 702/80) que regula a segurança e higiene no trabalho nos estabelecimentos industriais.

Fontes:

Joel Ramos

Joel Ramos, nasceu em Beja em 1989 e é Técnico de Saúde Ambiental desde 2012. Actualmente Técnico Superior de Segurança no Trabalho e aluno do Mestrado em Informática Aplicada no ISCTE-IUL, onde pretende relacionar a formação base com as novas tecnologias. Durante a sua carreira profissional desempenhou funções de Coordenador de Departamento de Higiene e Segurança Alimentar.
Joel Ramos

Joel Ramos

Joel Ramos, nasceu em Beja em 1989 e é Técnico de Saúde Ambiental desde 2012. Actualmente Técnico Superior de Segurança no Trabalho e aluno do Mestrado em Informática Aplicada no ISCTE-IUL, onde pretende relacionar a formação base com as novas tecnologias. Durante a sua carreira profissional desempenhou funções de Coordenador de Departamento de Higiene e Segurança Alimentar.

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