# O Factor Humano # Complexidade organizacional # risco psicossocial # Segurança e Saúde #

Nos dias de hoje, cerca ou mais de 50% do nosso dia-a-dia circunscreve-se ao “mundo do trabalho”, seja fisicamente in situ, seja no prolongamento da jornada laboral, muito para além do período normal de trabalho, fruto de inúmeras variáveis entre as quais a coexistência, diria, quase indispensável e irreversível das tecnologias da informação e comunicação ao nosso dispor.

SOMOS REFÉNS DO TRABALHO E DAS NOVAS TECNOLOGIAS QUE O SUPORTA!!!

Como corolário desse “casamento” na orgânica multifactorial e disciplinar do trabalho, impõe-se reflectir sobre a complexidade dos sistemas e das organizações na sua componente humana.

Atualmente, os técnicos de segurança e saúde deparam-se na prossecução da sua missão, com a dinâmica dos factores humanos por forma a evidenciar os comportamentos passíveis e potenciadores de riscos e consequentemente de sinistralidade.

Com a evolução das tecnologias, dos sistemas de prevenção e de protecção colectiva, dá-se uma “transferência” daquilo que considerávamos os riscos físicos e mecânicos, causadores de inúmeros flagelos nas organizações, para uma nova tipologia de riscos emergentes e invisíveis como os identificados de natureza psicológica e relacional. Questões como a insegurança laboral, a pressão para determinados objectivos, a rotação alicerçada na polivalência funcional entre outros, são vectores que influenciam a percepção da relação homem-trabalho, e que moldam o seu desempenho proporcionando nalgumas situações, desconforto ambíguo, stress, quadros de ansiedade e outras patologias de índole psicossocial. A somar a estes vectores organizacionais, registamos algumas disfunções a montante do indivíduo, que poderão, independentemente da sua concepção interna de valores e da sua singularidade biológica, física, psicológica, social, emocional e familiar, afectar a sua interacção psicossocial:

  • Ritmo de trabalho elevado;
  • Horários incombatíveis com outras valências de vida;
  • Falta de condições físicas e ergonómicas contribuindo para situações de desconforto músculo-esquelético;
  • Remuneração aquém da responsabilidade auto percepcionada;
  • Falta de socialização inter-relacional e grupal propícia ao trabalho individualizado e não de equipa;
  • Ausência de reconhecimento baseado na meritocracia;
    Falta de autonomia e responsabilização/decisão na função que executa;
  • Ausência de uma política de recursos humanos que vise o crescimento profissional e simultaneamente o pessoal;
  • Conflitualidade de papéis desempenhados;
  • Dificuldade na gestão da mudança;
  • Falta de transparência e clareza nos processos de decisão e comunicação, vertical e horizontal;
  • Realização de tarefas repetitivas e mecanizadas;
  • Trabalho para além do período normal de trabalho de forma reiterada colidindo com o espaço presumivelmente reservado a outras actividades essenciais ao trabalhador enquanto ser humano.

Estes denominados recursos externos (não exaustivos acima elencados), ao trabalhador, vão casuisticamente influenciar a sal esfera pessoal, as suas características físicas, psicológicas, biológicas entre outras, originando nuns casos uma espiral negativa (desmotivação, desinteresse, apatia, desvinculação emocional) e, noutros casos vai ser um tónico resiliente encarnado o individuo como um desafio (auto motivando-se, empenhando-se, encarando o percurso com maior optimismo, etc.).

Quer num caso, quer noutro, estamos a lidar necessariamente com o desgaste biopsicológico que poderá eventualmente determinar estádios de pressão interna – stress – e consequentemente com possibilidades de surgirem comportamento desviantes, incidentes, erros e acidentes laborais:

A nível emocional podemos estar perante sinais de:

  • Irritação;
  • Inquietação;
  • Nervosismo;
  • Ansiedade;
  • Mau-humor;
  • Isolamento;
  • Dificuldades em adormecer e insónias;
  • Distúrbios no relacionamento interpessoal.

A nível do quadro cognitivo e mental:

  • Ausência de concentração e atenção;
  • Dificuldades no acesso à memória, nomeadamente de curto prazo;
  • Pessimismo;
  • Negativismo e desvalorização do “eu”.

A nível do comportamento:

  • Negligência, incúria e desrespeito por normas de segurança e saúde;
  • Hábitos intempestivos;
  • Comportamentos adictos (álcool, substâncias psicoactivas, aumento do consumo de tabagismo e café);
  • Dificuldades em ser pontual e assíduo;
  • Violência verbal e física.

Estes factores externos aliados às diferentes características individualizadas, poderão suscitar determinadas disfunções, levando a patamares de adoecimento mental e somático que terão que ser abordados de uma forma pluridisciplinar, cabendo ao técnico de segurança e saúde a assunpção de procurar no quadro referencial da organização, o conhecimento individual de cada colega, a sua realidade social, familiar e humana, mas também técnica e material. Ou seja, o técnico de segurança e saúde deve sair da sua secretária, da sua zona de conforto e caminhar lado a lado com os seus colegas trabalhadores. Só assim de fará melhor PREVENÇÃO a todos os níveis.

O técnico de segurança e saúde deve sair da sua secretária, da sua zona de conforto e caminhar lado a lado com os seus colegas trabalhadores.

António Costa Tavares

Quadro superior da Câmara Municipal de Cascais – formador e docente do ensino superior

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