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O impacto das condições de trabalho na saúde dos trabalhadores

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O impacto das condições de trabalho reflete na qualidade de vida e consequentemente na saúde dos trabalhadores.

Existe uma estreita relação entre condições de trabalho e saúde do trabalhador. Não só o desgaste físico e emocional, a má remuneração, a sobrecarga de trabalho, os horários e a distribuição do tempo de trabalho que são apontados como fatores que influenciam negativamente na qualidade de vida e consequentemente na saúde dos trabalhadores, como também os movimentos repetitivos, com posturas incorretas e sem pausas. Por conseguinte, a fadiga acumula-se, a capacidade para o trabalho diminui e aumenta o risco de desconforto e de dor, contribuindo para o aumento do absentismo ocupacional.

O ritmo intensivo de trabalho também é uma das caraterísticas que influencia a saúde do trabalhador, conduz a novas doenças e um crescente mal-estar físico (fadiga e problemas posturais) e psicológico (carga mental do trabalho), decorrente de uma exposição mais intensa aos riscos e da separação entre o nível conceptual e o nível de execução. Também os esforços intensivos têm sido responsáveis pelo aparecimento de lesões músculo-esqueléticas relacionadas com o trabalho.

Em suma, o trabalho deve ser exercido em condições adequadas, caso contrário, a saúde do trabalhador pode ser prejudicada.

Geralmente, os problemas de saúde ocupacional aparecem associados a um conjunto de patologias oficialmente reconhecidas como doenças profissionais. As doenças profissionais em nada se distinguem das outras doenças, salvo pelo facto de terem a sua origem em fatores de risco existentes no local de trabalho. Estas doenças profissionais constituem apenas um dos aspetos das consequências negativas das más condições de trabalho sobre a saúde dos trabalhadores.

A título de exemplo, em Portugal, segundo o inquérito do Eurobarómetro (2014), as condições de trabalho são más e pioraram nos últimos cinco anos.

Mais de três quartos da população portuguesa (78%) declararam que as condições laborais pioraram nos últimos conco anos e só 8% afirmam que melhoraram.

Para 61% dos inquiridos portugueses, as condições de trabalho (definidas pelo horário, organização, saúde e segurança no trabalho e relação com a entidade patronal) são más. Apenas 32% dizem ser boas. Quando questionados sobre o grau de satisfação ao horário de trabalho, 78% dizem estar totalmente satisfeito e 73% também estão satisfeitos com o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.

Quanto ao envolvimento dos trabalhadores nas condições de trabalho, cerca de 53% dos trabalhadores não foi consultado sobre mudanças na organização do trabalho e/ou nas condições de trabalho nos últimos 12 meses. Mas quando o tema é a situação financeira da empresa incluindo uma possível reestruturação, 52% dizem ter sido informados.

Quando questionados sobre os riscos em matéria de saúde e segurança no local de trabalho, 48% dos inquiridos afirmam a exposição a stress, 34% movimentos repetitivos e 20% exposição a ruído e vibrações.

Este estudo foi realizado entre os dias 3 e 5 de abril de 2014 e reuniu uma amostra de 26 571 pessoas dos 28 Estados-Membros, das quais 1 001 em Portugal.

Bibliografia:

  • Chagas, D.; Reis, S. (2014). A influência da organização do trabalho na satisfação laboral dos trabalhadores. International Journal on Working Conditions, 8, 83-97.
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Dina Chagas

Dina Chagas

Doutorada em Higiene, Saúde e Segurança no Trabalho – Ramo Científico de Medicina Preventiva e Saúde Pública, pela Universidade de León, Espanha. Pós-Graduada em Segurança e Higiene do Trabalho pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias e detentora do Título Profissional para exercer a profissão de Técnico Superior de Segurança no Trabalho.
É professora convidada no Instituto Superior de Educação e Ciências (ISEC) e (co)autora de vários artigos científicos publicados em revistas e em capítulos de livros nacionais e internacionais nos diversos domínios da saúde e segurança ocupacional.
Dina Chagas

Dina Chagas

Doutorada em Higiene, Saúde e Segurança no Trabalho – Ramo Científico de Medicina Preventiva e Saúde Pública, pela Universidade de León, Espanha. Pós-Graduada em Segurança e Higiene do Trabalho pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias e detentora do Título Profissional para exercer a profissão de Técnico Superior de Segurança no Trabalho. É professora convidada no Instituto Superior de Educação e Ciências (ISEC) e (co)autora de vários artigos científicos publicados em revistas e em capítulos de livros nacionais e internacionais nos diversos domínios da saúde e segurança ocupacional.

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