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Os custos dos acidentes de trabalho e doenças profissionais

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Os custos dos acidentes de trabalho e doenças profissionais, para a maioria dos países, estão compreendidos entre os 2,6% e os 3,8% do PIB.

Os acidentes de trabalho resultam em custos elevados para as empresas, trabalhadores e a sociedade em geral.  Afetam decisivamente a qualidade de vida dos trabalhadores e refletem-se na economia nacional.

Os custos dos acidentes de trabalho sempre foi uma preocupação, já na década de 30, H. W. Heinrich ensaiava a quantificação dos custos dos acidentes a partir de uma análise económica da sinistralidade laboral. Construiu a famosa teoria do “Iceberg”, demonstrando que o custo dos acidentes de trabalho é superior ao valor pago pela  seguradora ao sinistrado, tendo defendido que os custos indiretos seriam quatro vezes superiores aos custos diretos, ou seja, a empresa suporta diretamente um custo quatro vezes superior ao valor pago pela seguradora ao sinistrado.

Heinrich considerou também que os custos dos acidentes de trabalho se dividiam em dois grupos: custos diretos (o montante total de indemnizações e pensões pagas pela seguradora) e custos indiretos (valor assumido diretamente pela empresa).

Custos diretos

  •  Prémio de seguro e agravamento
  • Remuneração e subsídios devidos ao acidente
  • Diferença de retribuição ao trabalhador
  • Transportes
  • Assistência médica e medicamentosa

Custos indiretos

  • Custos salariais
  • Perdas de materiais
  • Perdas da eficiência e da produtividade
  • Custos diversos
  • Etc

Para Heinrich, os custos totais dos acidentes deveriam ser o somatório dos custos diretos e custos indiretos e propõe a seguinte equação:

custos_acidentes_trabalho_hst_sst_blog_safemed

 

Os custos de assistência médica e indemnizações (Cas) são facilmente contabilizáveis e constituem a primeira rubrica. Os custos indiretos ou ocultos (Ch), os “hidden cost”, são suportados pela empresa embora quase sempre sem tratamento contabilístico.

Para Heinrich, os “hidden cost” (Ch) eram quatro vezes superior aos custos associados à assistência médica e indemnizações (Ch= 4Cas).

A figura 1 mostra o icebergue de Heinrich, a qual permite verificar que o acidente de trabalho custa sempre mais à empresa do que o total das indemnizações pagas ao sinistrado pela seguradora. A parte visível do iceberg corresponde aos custos identificados e a parte invisível aos custos não identificados.

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De acordo com a publicação Workplace Safety Index (2014), da entidade Liberty Mutual, em 2012, o custo das lesões e doenças profissionais nos Estados Unidos da América ascenderam quase 60 mil milhões de dólares de custos diretos.

Na Grã-Bretanha, segundo dados do HSE (2014), nos anos de 2012/13, o custo estimado de lesões e doenças profissionais foi de 14,2 mil milhões de libras esterlinas.

Em Portugal, constata-se que os montantes pagos pelas seguradoras referentes aos acidentes de trabalho rondaram os 449 milhões de euros em 2014.

É importante investir em segurança e saúde do trabalho, para além de reduzir os custos diretos e indiretos, os prémios de seguro, bem como o absentismo, aumenta a motivação dos trabalhadores com impacto no seu desempenho e produtividade.

Bibliografia

  • APS – Associação Portuguesa de Seguradores. (2015). Análise Técnica do Ramo Acidentes de Trabalho – 2014.12.
  • Dia Nacional de Prevenção e Saúde no Trabalho. Disponível em http://www.dnpst.eu/uploads/2015-FolhetoSociedadeCivilWEB.pdf.
  • Health and Safety Executive. (2014). Health and Safety Statistics. Annual Report for Great Britain 2013/14. Disponível em http://www.hse.gov.uk/statistics/overall/hssh1314.pdf.
  • Liberty Mutual Research Institute for Safety. (2014). Liberty Mutual Workplace Safety Index. USA: Liberty Mutual.
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Dina Chagas

Dina Chagas

Doutorada em Higiene, Saúde e Segurança no Trabalho – Ramo Científico de Medicina Preventiva e Saúde Pública, pela Universidade de León, Espanha. Pós-Graduada em Segurança e Higiene do Trabalho pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias e detentora do Título Profissional para exercer a profissão de Técnico Superior de Segurança no Trabalho.
É professora convidada no Instituto Superior de Educação e Ciências (ISEC) e (co)autora de vários artigos científicos publicados em revistas e em capítulos de livros nacionais e internacionais nos diversos domínios da saúde e segurança ocupacional.
Dina Chagas

Dina Chagas

Doutorada em Higiene, Saúde e Segurança no Trabalho – Ramo Científico de Medicina Preventiva e Saúde Pública, pela Universidade de León, Espanha. Pós-Graduada em Segurança e Higiene do Trabalho pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias e detentora do Título Profissional para exercer a profissão de Técnico Superior de Segurança no Trabalho. É professora convidada no Instituto Superior de Educação e Ciências (ISEC) e (co)autora de vários artigos científicos publicados em revistas e em capítulos de livros nacionais e internacionais nos diversos domínios da saúde e segurança ocupacional.

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