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Os Fora Nacionais de Medicina do Trabalho

Este ano, em novembro, a Sociedade Portuguesa de Medicina do Trabalho (SPMT) vai realizar o XIV Fórum Nacional de Medicina do Trabalho que, à semelhança dos últimos anos, se realizará na Culturgest. Trata-se do primeiro Fórum que se realizará depois do primeiro quarto de século de existência desses Fora, assinalando-se por isso as suas “bodas de prata”.

Sendo, à data, Vice-Presidente da SPMT tive o prazer de, com o Professor Mário Humberto de Faria então Presidente, participar ativamente na sua criação. Recordo com alegria as fogosas, extensas e profusas discussões sobre a designação do Encontro e da sua periodicidade.

Prevaleceu a periodicidade de realização nos anos ímpares, após um esforço de convergência com idênticas iniciativas das gentes do Norte que, nos anos pares, ficaram de realizar os encontros da Póvoa do Varzim, infelizmente extintos.

Deve todavia dizer-se que o mesmo esforço foi feito com Coimbra que não manifestou disponibilidade para organizar idêntica reunião científica no Centro o que determinaria a sua realização a cada três anos. Tal não deu continuidade às reuniões pioneiras de Medicina do Trabalho em Portugal, as Jornadas Médicas da Figueira da Foz – Medicina do Trabalho em que participei ativamente, pela última vez, um ano antes do 1º Fórum, nas XXIV Jornadas em setembro de 1990.

Mais intensa foi todavia a discussão em torno da designação da reunião científica já que o consenso foi muito fácil na definição da população-alvo que, na esteira da conceptualização das relações trabalho/saúde(doença) dos anos de 1980, foi muito abrangente e destinada a todas as áreas científicas de alguma forma relacionadas com essas interdependências e a todos os grupos profissionais interessados na prestação de cuidados de saúde e segurança do trabalho.

A indecisão não se centrava tanto na designação “Fórum”, mais expressivo do ecletismo pretendido, por oposição a “Congresso” então mais em voga, mas essencialmente na designação de “Medicina do Trabalho” ou de “Saúde Ocupacional”. Era então extremamente inovador realizar uma reunião de médicos com uma “palete” tão vasta de técnicos e outros profissionais como população-alvo e não apenas médicos, enfermeiros e outros clínicos como atualmente alguns se referem à Saúde Ocupacional.

Veio a prevalecer “Medicina do Trabalho” e desde a sua primeira edição, em 1991, os fora têm-se realizado regularmente a cada dois anos.

Para que não se esqueça o 1º Fórum Nacional de Medicina do Trabalho (Presidente, Prof. Mário Faria) realizou-se em Lisboa entre 23 e 26 de Outubro de 1991.

O Fórum teve sete sessões plenárias, todas a cargo de preletores estrangeiros:

  • Martin – “L’esprit des règlementations européennes dans le domaine de la santé au travail à l´horizon 1992”;
  • Goelzer – “Introdução à tecnologia de controle em Saúde Ocupacional”;
  • Lille – “Actualité du travail posté”;
  • Anderson – “Promoting health at work: examples from E.C. countries”;
  • Jeyaratnam – “Transfer of Hazardous Industries”;
  • Zwingmann – “Segurança e Proteção da Saúde no trabalho na Europa: Direitos de participação e Desafios para os Sindicatos” e
  • Monod – “L’Ergonomie à l’Hôpital”

Teve ainda inúmeras sessões simultâneas procurando, dessa forma, corresponder a uma “oferta” que respeitasse as diversificadas formações académicas e grupos profissionais dos participantes.

Julgo ter sido a reunião técnico-científica mais importante na área da Saúde Ocupacional/Medicina do Trabalho realizada em Lisboa após a realização do 10º Congresso Internacional de Doenças Relacionadas com o Trabalho, designação do congresso da International Commission on Occupational Health – ICOH, que se mantém com regularidade a cada três anos. Realizou-se, como foi dito, em Lisboa no ano de 1951, presidido por T. Stowell e secretariado por L. Carozzi.

E para que não se esqueça, a Sociedade Portuguesa de Medicina do Trabalho não teria tido meios de organizar o Fórum sem um patrocínio decisivo da extinta Companhia de Seguros Bonança. Felizmente que agora os tempos são outros mas poderiam, eventualmente, não ter sido sem o pioneirismo que agora se evoca.

Bibliografia

  • Sousa-Uva A. Sociedade Portuguesa de Medicina do Trabalho (1965 – 2015): Meio século de dedicação à Medicina do Trabalho e à Saúde Ocupacional. Lisboa: Sociedade Portuguesa de Medicina do Trabalho, 2015.

 

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António de Sousa Uva

António de Sousa Uva

António de Sousa Uva é médico e Professor Catedrático de Saúde Ocupacional da Escola Nacional de Saúde Pública onde coordena o Departamento de Saúde Ocupacional e Ambiental e ainda coordena o curso de especialização em Medicina do Trabalho.
António de Sousa Uva

António de Sousa Uva

António de Sousa Uva é médico e Professor Catedrático de Saúde Ocupacional da Escola Nacional de Saúde Pública onde coordena o Departamento de Saúde Ocupacional e Ambiental e ainda coordena o curso de especialização em Medicina do Trabalho.

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