Principais conclusões do Segundo Inquérito Europeu às Empresas Sobre Riscos Novos e Emergentes — ESENER-2

O segundo inquérito da EU‑OSHA, realizado a empresas de toda a Europa, visa contribuir para uma gestão mais eficaz da segurança e saúde no local de trabalho, assim como promover a saúde e o bem‑estar dos trabalhadores. O inquérito fornecerá dados transnacionais comparáveis e pertinentes para a conceção e implementação de novas políticas nesta área.

Principais conclusões

Os locais de trabalho europeus estão em constante evolução por influência das alterações das condições económicas e sociais. Algumas dessas alterações são perfeitamente visíveis no ESENER-2: 21% das empresas da UE-28 referem que os trabalhadores com idade superior a 55 anos representam mais de um quarto de sua força de trabalho, sendo as percentagens mais elevadas as da Suécia (36%), da Letónia (32%) e da Estónia (30%). Simultaneamente, 13% das empresas da UE-28 referem dispor de funcionários a trabalhar a partir de casa (teletrabalho), registando os Países Baixos (26%) e a Dinamarca (24%) as percentagens mais elevadas.

Cumpre notar também que 6% das empresas da UE-28 indicam integrar trabalhadores com dificuldades de compreensão da língua falada no local de trabalho. Os valores mais elevados registam‑se no Luxemburgo e em Malta (16%) e na Suécia (15%). Estas situações laborais suscitam novos desafios que exigem medidas com vista a garantir elevados níveis de segurança e saúde no trabalho.

• Os resultados do ESENER-2 refletem o crescimento contínuo do setor dos serviços. Os fatores de risco mais frequentemente identificados são: a interação com clientes, alunos e pacientes difíceis (58% das empresas da UE-28); em seguida, posições cansativas ou dolorosas (56%); e, por fim, os movimentos repetitivos da mão ou do braço (52%).

• Entre os fatores de risco, os psicossociais são vistos como os mais exigentes; quase uma em cada cinco empresas que referem ter de enfrentar clientes difíceis ou a pressão relativamente a prazos a cumprir afirmam também não dispor das informações ou ferramentas adequadas para fazer face ao risco de forma eficaz.

• O ESENER-2 revela que 76% das empresas da UE-28 realizam periodicamente avaliações de riscos. Como seria de esperar, existe uma correlação positiva com a dimensão da empresa, sendo que, por país, os valores variam entre 94% das empresas em Itália e na Eslovénia e 37% no Luxemburgo.

  • A maioria das empresas inquiridas na UE-28 e que realizam avaliações de riscos periódicas considera as mesmas uma forma útil de gerir a segurança e saúde (90%), um resultado consistente, transversal a  todos os setores de atividade e dimensões de empresas.
  • Existem diferenças significativas no que respeita à percentagem de empresas cujas avaliações de riscos são realizadas sobretudo por pessoal interno. A classificação obtida pelos países muda significativamente, sendo encabeçada pela Dinamarca (76% das empresas), pelo Reino Unido (68%) e pela Suécia (66%). As percentagens mais baixas registam‑se na Eslovénia (7%), na Croácia (9%) e em Espanha (11%).
  • No que respeita às empresas que não realizam avaliações de riscos periódicas, as principais razões fornecidas para justificar esse facto são: «os perigos já são conhecidos» (83% das empresas); e «não existem problemas dignos de registo» (80%).
  • A maioria das empresas da UE-28 (90%), sobretudo as empresas de maior dimensão, refere dispor de um documento que explica as responsabilidades e os procedimentos em matéria de segurança e saúde. Não se registam diferenças significativas entre setores de atividade, enquanto, por país, os valores mais elevados dizem respeito ao Reino Unido, à Eslovénia, à Roménia, à Polónia e a Itália (98% em todos eles), em contraste com o Montenegro (50%), a Albânia (57%) e a Islândia (58%).
  • As questões relativas à segurança e saúde são regularmente discutidas ao nível mais alto da administração em 61% das empresas da UE-28, percentagem que aumenta com a  dimensão da empresa. Por país, essa realidade é  mais frequente na República Checa (81%), no Reino Unido (79%) e  na Roménia (75%), registando o  Montenegro (25%), a Estónia (32%), a Islândia e a Eslovénia (35%) as percentagens mais baixas.
  • Quase três quartos das empresas inquiridas na UE-28 (73%) afirmam proporcionar, aos seus chefes de equipa e responsáveis operacionais, formação sobre a gestão da SST nas respetivas equipas. Estas percentagens aumentam com a dimensão da empresa e são mais frequentemente comunicadas pelas empresas de construção, de gestão de resíduos, de abastecimento de água e de eletricidade (82%), bem como pelos setores da agricultura, silvicultura e pesca (81%). Por país, a formação é mais frequentemente fornecida na República Checa (94%), em Itália (90%), na Eslovénia e na Eslováquia (84%), em contraste com a Islândia (38%), o Luxemburgo (43%) e França (46%).
  • Passando agora para as razões que motivam as empresas a gerir a SST, o cumprimento das obrigações legais é referido como uma das principais justificações por 85% das empresas da UE-28. Existe uma correlação positiva com a dimensão da empresa, enquanto, por país, as percentagens variam entre 68% das empresas na Dinamarca e 94% em Portugal. Nalguns países, em particular os que aderiram à União Europeia em 2004 e em alguns dos países candidatos, o fator determinante citado com maior frequência como uma das principais razões para abordar as questões relativas à  segurança e  saúde é a preservação da reputação da organização.
  • O segundo fator determinante mais importante para atuar em matéria de SST é a resposta às expectativas dos trabalhadores ou dos seus representantes. O ESENER-2 revela que mais de quatro em cada cinco empresas que realizam avaliações de riscos periódicas na UE-28 (81%) afirmam contar com a participação dos seus trabalhadores na conceção e implementação das medidas resultantes das avaliações de riscos.
  • O ESENER-2 revela também que a  relutância em falar abertamente sobre estas questões parece constituir a principal dificuldade para abordar os riscos psicossociais (30% das empresas da UE-28). Esta, como todas as outras dificuldades, é mais frequentemente relatada à medida que a dimensão da empresa aumenta.
  • Um pouco mais de metade das empresas inquiridas na UE-28 (53%) afirma dispor de informações suficientes sobre a inclusão dos riscos psicossociais nas avaliações de riscos. Como esperado, esta percentagem varia mais com a dimensão da empresa do que com o setor, e, no que respeita especificamente à variação por país, os valores mais elevados são referidos pela Eslovénia (75%) e Itália (74%), em contraste com Malta (35%) e Eslováquia (40%).
  • A utilização dos serviços de segurança e saúde revela que os profissionais mais procurados são os médicos do trabalho (68%), os generalistas em saúde e  segurança (63%) e  os peritos em prevenção de acidentes (52%). No que respeita concretamente aos riscos psicossociais, o  recurso a  um psicólogo é referido por apenas 16% das empresas da UE-28.
  • No que se refere às formas de representação dos trabalhadores, os mais referidos foram os representantes em matéria de segurança e saúde: 58% das empresas da UE-28, com as percentagens mais elevadas entre as empresas nas áreas da educação, saúde humana e ação social (67%), da indústria transformadora (64%) e da administração pública (59%). Como era de esperar, estes resultados são determinados, em grande medida, pela dimensão da empresa.
  • No que respeita às empresas que afirmam ter tomado medidas destinadas a prevenir os riscos psicossociais nos três anos anteriores ao inquérito, 63% das empresas da UE-28 referem que os trabalhadores desempenharam um papel importante na conceção e aplicação de tais medidas. Estes resultados variam conforme o país, entre os 77% das empresas na Dinamarca e na Áustria até aos 43% na Eslováquia. Dada a natureza dos riscos psicossociais, seria de esperar que as medidas tomadas nesta área suscitassem uma participação direta do trabalhador e um grau especialmente elevado de colaboração de todos os intervenientes no local de trabalho

Fonte (OSHA Europa): https://osha.europa.eu/fr/tools-and-publications/publications/reports/esener-ii-summary.pdf/view

 

Márcia Cardoso

Márcia Cardoso

Márcia Cardoso, licenciada em Marketing. Actualmente desenvolve funções na Ábaco Consultores.  Visualizar perfil de Márcia Cardoso

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