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Problemas Musculo-esqueléticos – O caso dos Professores

No presente, as tarefas dos professores não estão limitadas apenas a lecionarem.  Contudo os docentes preparam as aulas, fazem a gestão dos alunos no desenvolvimento dos exercícios, prestam acompanhamento aos discentes, cumprem com tarefas extracurriculares sem carácter letivo, preparam relatórios para avaliações externas, participam em tarefas de desenvolvimento pessoal contínuo, satisfazem os pedidos dos órgãos de gestão (Hui, 1994; Reform of the education system in Hong Kong, 2001; Guidance work in secondary schools, 2001). Como resultado os professores podem sofrer problemas a nível mental e físico devido á diversidade de funções inerentes ao seu trabalho.

Vários estudos demonstram que a profissão de professor pode causar danos físicos ou agravar alguns já existentes. As perturbações músculo-esqueléticas encontram-se nos 3 principais danos sofridos pelos docentes. As queixas relativas a este tipo de perturbação, especialmente na zona inferior das costas, pescoço e ombros são as áreas mais afetadas por estes profissionais (Chong et Chan, 2010). As dores de costas e ombros podem ser causadas por posturas de trabalho incorretas durante o acompanhamento da execução dos trabalhos nas mesas dos alunos e nas escritas prolongadas na zona superior do quadro (Ritvanen et al, 2004). Além disso, longos períodos de tempo permanecendo de pé podem causar dores a nível das pernas e zona inferior das costas. Os professores de educação física encontram-se expostos a um maior risco de perturbações músculo-esqueléticas. Estudos ainda demonstram que os professores estando de pé durante longos períodos poderão ficar com varizes. Foi reportado que as senhoras apresentam maior incidência deste tipo de patologia, no entanto ambos os sexos poderão apresentar a doença citada (Baron et Ross, 1995; Bowling, 2001). Stern verificou que as varizes são em média seis vezes mais prevalentes nas mulheres (Stearn, 2001).

Os problemas músculo-esqueléticos apresentam-se como a causa principal de doença profissional dos professores irlandeses afetando cerca de 10% destes (Maguire et O’Connel, 2007).

A National Union Teachers do Reino Unido em “Classroom ergonomics” (2014) indica que “Entre outras coisas… os professores deverão ser informados sobre a forma de estarem de pé e a sentarem-se – e na verdade também no que se devem sentar”. O mesmo estudo indica as seguintes medidas como prevenção aos problemas músculo-esqueléticos:

  • Fornecimento de cadeiras ajustáveis em altura para que os docentes regulem para a posição mais confortável;
  • Remoção de obstáculos debaixo das mesas para criar espaço suficiente para as pernas;
  • Introdução de cadeiras ajustáveis e portáteis para utilização pelos professores para se sentarem juntos dos alunos.

 

Bibliografia

-Baron HC, Ross BA. Varicose veins: a guide to prevention and treatment. New York, NY, USA: Facts On File; 1995.

– Bowling A. Measuring disease: a review of disease-specific quality of life measurement scales. 2nd ed. Buckingham, UK: Open University Press; 2001.

– Classroom ergonomics. Good practice guidance for national union teachers safety representatives. 2014.

– Chong EY & Chan AH (2010). Subjective health complaints from primary and secondary schools in Hong Kong. International Journal of Occupational Safety and Ergonomics 16(1):23-39.

Guidance work in secondary schools. Hong Kong: Hong Kong Education Department; 2001.

– Hui EKP. Teaching in Hong Kong: guidance and counseling. Hong Kong: Longman; 1994.

– Maguire M & O’Connell T (2007) Ill health retirement of schoolteachers in the Republic of Ireland. Occup. Med 57:191-193.

– Reform of the education system in Hong Kong—summary: learning for life learning through life. Hong Kong: Hong Kong Education and Manpower Bureau; 2001.

– Ritvanen T, Laitinen T, Hänninen O. Relief of work stress after weekend and holiday season in high school teachers. J Occup Health. 2004;46:213–5.

-Stearn M. Embarrassing medical problems: everything you always wanted to know but were afraid to ask your doctor. 1st ed. New York, NY, USA: Hatherleigh Press; 2001.

 

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Rui Bandeira

Rui Bandeira

Licenciado em Eng. do Ambiente, Meste em Eng. e Gestão Ambiental, formador e Téc. Superior de HST. Desenvolveu carreira académica como bolseiro de investigação na área do Ambiente, assim como foi docente de ensino superior em diversos cursos. Paralelamente iniciou funções de responsável técnico de empresa prestadora de serviços externos de segurança no trabalho na qual permanece na atualidade. Experiência profissional a nível de avaliação de riscos profissionais, coordenação de segurança em fase de projeto e obra, processos de remoção de materiais contendo amianto, implementação de serviços externos de segurança no trabalho.
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Licenciado em Eng. do Ambiente, Meste em Eng. e Gestão Ambiental, formador e Téc. Superior de HST. Desenvolveu carreira académica como bolseiro de investigação na área do Ambiente, assim como foi docente de ensino superior em diversos cursos. Paralelamente iniciou funções de responsável técnico de empresa prestadora de serviços externos de segurança no trabalho na qual permanece na atualidade. Experiência profissional a nível de avaliação de riscos profissionais, coordenação de segurança em fase de projeto e obra, processos de remoção de materiais contendo amianto, implementação de serviços externos de segurança no trabalho.

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