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Riscos associados ao granito e mármore

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INTRODUÇÃO

A indústria de extração, tratamento e uso de diversas pedras na construção civil abarca uma quantidade de riscos ocupacionais, alguns dos quais pouco divulgados. Aliás, a bibliografia encontrada sobre o tema é muito escassa e incide em itens muito específicos. Para além disso, o uso cada vez mais frequente de granito e mármore no interior e exterior dos edifícios onde os indivíduos residem e/ou trabalham, também poderá acarretar riscos para a saúde.

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CONTEÚDO

Principais Riscos Ocupacionais na Indústria de Extração, Tratamento e Uso na Construção Civil de Pedras (como granito e mármore):

  • Inalação de partículas

A maioria destas empresas é de pequena dimensão, pelo que, por vezes, as condições de trabalho não estão de acordo com as normas em vigor e não costuma haver grande recetividade à formação e mudança. Nas empresas de corte de pedra coexistem métodos de trabalho secos e húmidos: nestes últimos os trabalhadores inalam menos poeira e, justamente por isso, geralmente os métodos secos são mais utilizados do que se assume oficialmente. Para além disso, por vezes, a ventilação também não é a mais adequada. Alguns estudos descrevem que numa pequena parte das empresas avaliadas usava-se alguma proteção respiratória, ainda que não de acordo com as exigências das instituições internacionais regulamentadoras. Para além disso, trata-se de um tipo de indústria onde a generalidade dos funcionários permanece vários anos, ou até toda a vida; logo, é frequente a exposição intensa e prolongada.

A extração da pedra, sobretudo em países menos desenvolvidos, obteve uma progressão técnica por vezes superior à evolução no âmbito da saúde, higiene e segurança ocupacionais.

A inalação da sílica provoca uma reação do tecido pulmonar; alguns autores consideram que a silicose também se associa a maior incidência de tuberculose, doença pulmonar crónica obstrutiva (como bronquite e enfizema) ou até doenças auto-imunes;  bem como cancro pulmonar e doença renal. De realçar que o diagnóstico de silicose dificilmente surge antes de vinte anos de exposição. Em 2009 a IARC (Agência Internacional de Pesquisa para o Cancro) concluiu que a sílica cristalina atua como carcinogéneo pulmonar.

A exposição generalista a poeiras associa-se a várias doenças dos seios nasais e perinasais; contudo, a maioria dos trabalhadores desta indústria não usa qualquer tipo de proteção respiratória, como já se mencionou. O transporte mucociliar nasal é um processo fisiológico no qual as células ciliadas deslocam a camada de muco até à nasofaringe, camada essa que adere poluentes e outros produtos que interessa excretar, funcionando tal como mecanismo de defesa para as vias respiratórias superiores e inferiores. Um estudo avaliou a função mucociliar de funcionários da indústria da mármore e concluiu, curiosamente, que não existiam diferenças significativas a nível estatístico, quando comparados com os não expostos. Contudo, deve-se também realçar que o mármore é constituído por carbonato de cálcio e não sílica, logo menos tóxico que o granito- seria interessante fazer um estudo equivalente em trabalhadores de granito.

 

  • Ruído

Neste tipo de indústria há exposição frequente e intensa a ruído, sobretudo próximo das máquinas que efetuam o corte da pedra; geralmente entre os 95 e os 103 dB(A), segundo alguns estudos (pelo que os trabalhadores deveriam usar proteção auricular com atenuação adequada durante todo o turno). A generalidade dos países considera como “aceitável” a exposição até os 85 dBA, uma vez que, para valores superiores, os danos são ainda mais significativos.

Acredita-se que o ruído induz a produção de radicais livres que, entre outras consequências, diminuem a circulação sanguínea coclear. Quando a exposição laboral é contínua, a hipoacusia (diminuição da audição) é geralmente mais grave, uma vez que fica diminuído o tempo de recuperação disponível. A hipoacusia representa uma parte substancial das doenças profissionais na generalidade dos países, pelo que implica um custo avultado, quer económico, quer social (devido ao isolamento, depressão, maior risco de acidentes e menor qualidade de vida geral). A condição geralmente é irreversível.

O uso de proteção auricular em trabalhadores que já ouvem mal constitui uma preocupação especial porque estes terão ainda mais dificuldade em ouvir os colegas e as chefias- daí que possa existir resistência extra ao seu uso; por vezes a atenuação sonora também não é a adequada. Existem equipamentos mais sofisticados que atenuam os sons de elevada frequência mas ampliam outros com baixa frequência, de forma a manter a comunicação oral viável. Para além disso, a eficácia da proteção auricular também depende do treino no uso da mesma.

Nos últimos anos têm sido publicadas investigações que provam ou sugerem a possibilidade do ruído também se associar a várias alterações cardiovasculares (hipertensão arterial, taquicardia- aumento da frequência cardíaca e isquemia do miocárdio- enfarte e angina de peito), alterações do sono, respiratórias (mais crises de asma), obstétricas (aborto espontâneo) e imunológicas; bem como consequências a nível de desempenho e variáveis psicológicas (ansiedade, irritabilidade, depressão, desorientação, alteração na capacidade concentração e de aprendizagem). A explicação fisiopatológica reside no facto de o ruído atuar como stressor no sistema nervoso autónomo e, consequentemente, no sistema endócrino também.

  • Outros riscos mencionados na bibliografia consultada

Outros riscos frequentes no setor da extração de pedra (e mencionados sumariamente na bibliografia consultada) são as vibrações, radiação ultravioleta, desconforto térmico, posturas forçadas e/ou mantidas e a eventual possibilidade de derrocada de solos.

  •  Vibrações

A vibração pode ser definida como movimento oscilatório, que implica uma alteração da velocidade e direção do deslocamento (movimento de “vai e vem”). O valor limite de ação para as vibrações (a nível de mão-braço) é de 2,5m/s2; contudo, alguns autores consideram que tal valor deveria ser inferior, tendo em conta os danos que se supõe existir já com este nível.

As vibrações têm a capacidade de causar lesões vasculares e nervosas, sobretudo nos dedos das mãos (dado ser um ponto de entrada frequente), tanto mais graves quanto mais intensa a frequência oscilatória medida em Hertz (Hzs). Os trabalhadores com a doença dos “dedos brancos” frequentemente referem atenuação da força (apesar de não se encontrarem alterações musculares), intolerância ao frio, dor e cãibras; parte das lesões são irreversíveis, ficando o indivíduo com limitações profissionais e pessoais, logo, com menor qualidade de vida. A evolução será mais rápida e intensa se se mantiver a exposição às vibrações. Alguns autores usam a terminologia “doença do dedo branco” como equivalente à doença de Raynaud (apesar que aqui, além da cor branca, também podem surgir os tons azul e rosa, por hipoxia- diminuição de oxigénio e aumento da circulação sanguínea, respetivamente). Quanto mais cedo se diagnosticar a patologia, mais precoces serão as medidas tomadas, pelo que a gravidade, genericamente, será menor. Em países com clima mais quente a semiologia é muito mais suave, pelo que a situação torna-se menos exuberante e/ou é menos frequentemente diagnosticada.                  Vibrações com frequências baixas podem causar náusea, vómito e diaforese (sudorese aumentada); se mais intensas podem surgir cefaleia, cervicalgia (dor na coluna cervical), astenia, lombalgia (dor na coluna lombar), dorsalgia (dor na coluna dorsal), alterações génito-urinárias, bem como diminuição das acuidades auditiva e visual. Para além disso, podem ter também implicações aos níveis cardiovascular, cardiopulmonar, metabólico, endócrino e do sistema nervoso central. No campo emocional alguns autores defendem que estas aumentam também o risco de surgirem irritabilidade/ fadiga e stress. As vibrações com exposição breve levam a alterações fisiológicas minor, como taquicardia, hiperventilação, cefaleia, desequilíbrio e diminuição da acuidade visual.

O uso de luvas anti-vibração atenua a semiologia e a gravidade das lesões; alguns destes modelos têm um sistema de aquecimento incorporado, para ambientes de trabalho frios. Como medidas de proteção coletiva destacam-se o uso de máquinas que produzam menos vibrações. Para além disso, uma boa vigilância médica permitirá detetar as situações numa fase mais precoce. A organização do trabalho deve permitir a rotatividade de tarefas, de modo a que não haja sobrecarga dos mesmos funcionários, por períodos prolongados; as pausas são também importantes.

  • Desconforto térmico

O risco de desconforto térmico existe quando as tarefas são executadas ao ar livre ou, mesmo dentro de edifícios, se em fases precoces da obra, devido à ausência do isolamento proporcionado por portas e janelas; aqui há a considerar as temperaturas quer muito elevadas, quer muito baixas, consoante o país e estação do ano.

  •  Temperaturas muito elevadas

Na maioria dos países com clima temperado, os efeitos mais graves do calor geralmente apenas se manifestam esporadicamente, em ondas de calor; nas zonas tropicais as temperaturas podem atingir esse patamar quase todos os dias- nestes países, os habitantes, por vezes, desenvolveram já adaptações, como é o caso de dormir um pouco durante o dia (sesta), trabalhar com ritmo menos intenso e/ou usar roupas/ chapéus largos e com abas, de materiais adequados.

O stress orgânico causado pelo calor pode levar a várias situações oscilando em gravidade desde o simples desconforto e diminuição discreta da produtividade, até o choque térmico/ “insolação”, eventualmente fatal. Algumas das patologias que podem agravar as consequências do calor são o alcoolismo, anorexia e a hipertensão arterial. A nível de fármacos destacam-se os anti-histamínicos (anti-alérgicos), benzodiazepinas (sedativos, calmantes), antidepressivos tricíclicos ou algumas classes de anti-hipertensores. A situação fica também agravada pela humidade elevada, vento diminuído (uma vez que se diminui a eficácia da sudorese/ evaporação) e/ ou uso de roupas quentes/ oclusivas.

A exposição crónica ao calor/ radiação associada pode implicar alterações no padrão de sono, cataratas, diminuição da fertilidade (sobretudo masculina, pelo atingimento testicular, ao nível térmico).

No processo de aclimatização o organismo tenta adaptar-se, melhorando os mecanismos de perda de calor, por exemplo, potenciando a vasodilatação periférica e aperfeiçoando a sudorese. Este processo pode variar entre 4 a 14 dias, sensivelmente. O regresso de umas férias, por exemplo, pode exigir novo período de aclimatização.

A nível da Saúde Ocupacional, o stress térmico é avaliado através de WBGT (wet bulb globe temperature), conceito este que já considera a temperatura basal do ar, humidade, velocidade do vento e a radiação do calor, de modo a conhecermos a real temperatura percecionada pelo trabalhador. Na maioria das zonas do planeta, a WBGT está a aumentar.

Algumas investigações concluíram que a formação dos trabalhadores e a hidratação mais cuidada aumentam a produtividade. Contudo, beber apenas quando surgir a sede não é suficiente uma vez que esta é sentida apenas quando se perdem um a dois litros de água; aliás, se o funcionário estiver muito motivado/ concentrado nas suas tarefas, acredita-se que a sede só seja claramente percecionada quando tiver perdido três a quatro litros. Uma hidratação mais completa e eficaz implica a ingestão de água não só durante o turno de trabalho, mas também fora dele. Contudo, trabalhadores com um nível socio/cultural mais baixo é por vezes difícil incentivar a hidratação com as bebidas adequadas, uma vez que não se apercebem dos riscos e podem mesmo argumentar que, até o momento, nada de grave lhes aconteceu devido à suposta desidratação.

Quanto à roupa, deve ser dada preferência ao algodão ou outras fibras naturais, devido à sudorese, evaporação e consequente temperatura cutânea. A roupa deve ainda ser larga e de material que diminua a absorção de calor.

A temperatura excessivamente aumentada pode ser atenuada com ventilação/ circulação de ar fresco. A nível de organização do trabalho, será importante que os gestores avaliem a exigência física das tarefas, treinando e aclimatizando os funcionários. Para além disso, as tarefas mais exigentes deverão ser realizadas, idealmente, nos locais menos quente e nas horas mais frescas.

  • Temperaturas muito frias

Com a exposição ao frio, o equilíbrio térmico ocorre por diminuição das perdas de calor (vasoconstrição periférica) e aumento da produção de calor por tremor e/ ou atividade física. Por sua vez, em casos de exposição prolongada, poderá ocorrer paradoxalmente vasodilatação periférica, no sentido de tentar preservar a função das extremidades.

Aos primeiros segundos de exposição ao frio surgem alterações inspiratórias/ hiperventilação, taquicardia, vasoconstrição, hipertensão arterial e mal-estar geral; após alguns minutos podem ser verificados a diminuição da temperatura das extremidades, deterioração do rendimento muscular, arrepios e dor. Por sua vez, após algumas horas ao frio a capacidade física diminui ainda mais e poderão surgir hipotermia e desorientação. Respirar em ambientes frios origina broncoespasmo (sensação de dificuldade respiratória devido a estreitamento das vias respiratórias) e broncorreia (aumento da produção de secreções brônquicas), não só em trabalhadores sem patologia respiratória, mas sobretudo em asmáticos.

O frio leva à diminuição da transmissão nervosa e consequente decréscimo das forças isométrica (2% por cada grau de temperatura) e dinâmica (4%, respetivamente). A capacidade aeróbica geral diminui 6% por cada grau de temperatura, o que implica que os trabalhadores precisem de mais tempo para a mesma tarefa e de pausas mais frequentes e prolongadas.

A exposição a longo prazo ao frio poderá alterar a atividade do sistema nervoso autónomo, originando-se assim perturbações cardiovasculares, como a hipertensão arterial e a diminuição da contratilidade cardíaca. Há ainda um maior risco de enfarte agudo do miocárdio, crises anginosas e acidente vascular cerebral.

A eficácia na manutenção do equilíbrio térmico geralmente diminui com a idade, condição essa que poderia condicionar uma diferente organização do trabalho.

A nível dermatológico, é razoavelmente frequente a urticária secundária ao frio, caraterizada por prurido e erupções nas zonas expostas. A semiologia costuma desaparecer até uma hora depois de cessar a exposição.

Mesmo pequenas variações da zona térmica confortável alteram a sensação de bem- estar do trabalhador, diminuindo a sua reatividade, concentração e desempenho. Algumas dessas alterações podem permanecer mesmo após a interrupção do stress térmico. O que, obviamente, afetará a empresa, uma vez que há diminuição da produtividade e/ ou aumento do risco de acidentes de trabalho (por exemplo, não só devido à diminuição da sensibilidade nos dedos, tremor excessivo e/ ou pelo desconforto originado por alguns equipamentos de proteção individual- EPI).

Existem vários EPIs a recomendar, consoante as particularidades da tarefa. No entanto, não se deve esquecer que o seu uso pode levar a pior visão, menor mobilidade e maior carga a transportar. Aliás, o excesso de roupa aumenta a sudorese, humedecendo as peças mais próximas do corpo. Quando as peças mais próximas da pele ficam húmidas o seu valor protetor fica muito diminuído; recomenda-se então que as peças sejam usadas em várias camadas, não só para uma maior eficácia, como maior facilidade de ajuste às necessidades. O tamanho dos equipamentos exteriores deve ser maior que os interiores, de modo a não existir constrição. A camada mais externa, preferencialmente, deverá ser impermeável, para diminuir o efeito da humidade. O trabalhador deverá usar luvas (apesar de estas diminuírem a mobilidade e sensibilidade), sempre que a temperatura for inferior a 4 ou -7º C (para trabalho suave e moderado, respetivamente). Desejavelmente os equipamentos deverão ter comandos cuja manipulação seja segura com luvas. Tendo em conta que 50% do calor corporal é perdido pela cabeça, é muito importante usar um gorro ou equivalente; algumas destas peças também dão proteção para as orelhas. O calçado deve ser constituído por materiais adequados (porosos mas impermeáveis); deve ser ainda flexível, não derrapante, do tamanho certo ao pé e às meias e deve ajustar-se facilmente às calças. As meias poderão ser grossas ou então usar-se dois pares mais finos, sendo o externo maior que o interno; o material deve permitir manter o pé seco e quente. O trabalhador deverá ter sempre um par extra, caso necessite trocar, se ficarem húmidas. Além disso, este também deverá conciliar a espessura da meia com a dimensão do calçado, para que o pé não fique muito apertado (e com comprometimento da circulação sanguínea), nem a ponto de se originarem bolhas pelo contato solto com o calçado). Para temperaturas muito baixas também deve ser usada proteção da face, que deverá ser distinta do equipamento ocular (para melhor eficácia e para não embaciar); este último, por vezes, deverá ter ainda proteção ultravioleta.

A nível de Medidas de Proteção Coletiva, o empregador deve planificar o seu trabalho de forma a realizar (se possível) os trabalhos sujeitos a maior risco para o frio na estação do ano mais quente; orientar a realização das tarefas para interior sempre que executável; proporcionar mais tempo para o mesmo desempenho; organizar períodos adequados de descanso; ter os seus serviços médicos atualizados acerca da história de saúde dos funcionários; proporcionar formação adequada; controlar ao máximo a humidade, chuva, vento e ruído; analisar o tempo atual e conhecer as previsões; permitir o controlo individual do ritmo de trabalho e a troca de roupa; providenciar um bom sistema de comunicação; fornecer alimentos e bebidas quentes; além de testar as máquinas em condições de frio e proporcionar manutenção adequada. As refeições devem ser equilibradas, frequentes e quentes; não esquecer que a exposição ao frio implica um gasto calórico maior. O café deve ser evitado devido ao seu efeito diurético (que aumentará o risco de desidratação) e, para além disso, ao ativar a circulação sanguínea na pele facial, aumentará a perda de calor. Todos os utensílios de metal devem estar devidamente revestidos. Na organização das tarefas dever-se-á evitar que o trabalhador fique parado (de pé ou sentado) por períodos prolongados. Um funcionário novo deve começar por turnos curtos, progressivamente aumentados, para se aclimatizar. Em cada turno deverá existir pelo menos um funcionário com noções básicas de socorrismo e um contato de apoio exterior. A empresa deverá proporcionar condições para que exista proteção contra o vento.

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Outros riscos não mencionados na bibliografia consultada

A nível de riscos ocupacionais revelantes e não mencionados na bibliografia consultada, destacam-se ainda o manuseamento de cargas (por vezes, muito elevadas), risco de queda de objetos, utilização de maquinaria com capacidade de provocar lesões graves e risco de queda ao mesmo nível.

Principais riscos em ambientes fechados associados ao granito e ao mármore (incluindo domicílios e locais de trabalho):

Os humanos são continuamente expostos a radiação natural; as principais fontes desta são os raios cósmicos e os radionucleotídeos da crosta terrestre, nomeadamente o radão; este é um gás radioativo, com semivida de 3,8 dias, que emana de rochas e solos, concentrando-se por isso em ambientes fechados, como minas e edifícios. Por vezes essas mesmas rochas são usadas como material de construção, pelo que no interior existirão concentrações superiores de radão, independentemente da localização geográfica. A acumulação é mais intensa também nas caves/ andares inferiores; contudo, as concentrações domiciliares são francamente inferiores às encontradas, por exemplo, em minas, sobretudo de urânio. A deposição no interior dos edifícios varia também com a estação (é três vezes mais intensa no inverno que no verão, pela menor arejamento das divisões, por exemplo) e sistema de ventilação/ isolamento do exterior propriamente dito (hoje em dia existem técnicas de construção que permitem um melhor isolamento do solo). Esta substância é a maior responsável pela radiação ionizante recebida pela generalidade da população. Aliás, estudos recentes associam o radão a maior incidência de cancro do pulmão (eventualmente 14% dos casos), apenas em segundo plano em relação ao tabaco. A Agência Internacional de Pesquisa para o Cancro considera que esta substância é carcinogénica para a espécie humana. A concentração de radão em ambientes fechados depende também do tipo de materiais usados na construção, temperatura interna e externa do edifício, humidade relativa e estrutura geológica do solo; o que pode se tornar relevante, dado que a generalidade dos indivíduos passa cerca de 80% do tempo em ambientes fechados. Aliás, o cimento/ betão, tijolos e outros materiais também constituem fontes de emissão de radão.

O granito é usado desde há muito tempo como revestimento externo dos edifícios mas, mais recentemente, polido sobretudo, passou a ser utilizado como revestimento de chãos, paredes e/ou tampos de cozinhas e casas de banho. O granito emite mais radão que qualquer outra pedra usada na construção civil. Os diversos tipos de granito apresentam origens geológicas e composições diferentes, sendo que o nível de radiação varia consoante a composição. Contudo, ainda assim, alguns estudos concluíram que a radiação emitida pelo granito não altera de forma significativa a concentração de radão no interior dos edifícios, desde que estes tenham ventilação adequada.

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CONCLUSÕES

Os principais riscos associados a este setor profissional são o contato com as poeiras/ sílica, ruído, vibrações, radiação ultravioleta, desconforto térmico (frio e calor intensos), posturas forçadas e/ou mantidas, risco de derrocada, manuseamento de cargas, queda de objetos, uso de máquinas e possibilidade de queda ao mesmo nível.

Quanto aos riscos para os indivíduos que no seu local de trabalho e/ou de habitação exista revestimento interno e/ou externo de pedra, nomeadamente granito, há aumento do nível de radiação interior mas, segundo alguns autores, desde que haja um nível de ventilação adequado, tal não atingirá, na generalidade das situações, valores preocupantes.

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BIBLIOGRAFIA

Santos M. Almeida A., Principais riscos e fatores de risco laborais, doenças profissionais e medidas de proteção recomendadas em função do contato com granito e mármore. 2016, volume 1, 1-15.

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Artigo elaborado em parceria com:

Armando Almeida: Docente no Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa;
Mestre em Enfermagem Avançada; Especialista em Enfermagem Comunitária.

 

  • Artigo aceite para publicação na Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional online > aqui.
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Mónica Santos

Mónica Santos

Licenciada em Medicina; Especialista em Medicina do Trabalho; Especialista em Medicina Geral e Familiar e Mestre em Ciências do Desporto.
Diretora Clínica da empresa Quércia (Viana do Castelo).
A exercer Medicina do Trabalho também nas empresas Cliwork (Maia), Clinae (Braga), Medicisforma (Porto), Sim Saúde (Porto), Servinecra (Porto) e Radelfe (Paços de Ferreira).
Mónica Santos

Mónica Santos

Licenciada em Medicina; Especialista em Medicina do Trabalho; Especialista em Medicina Geral e Familiar e Mestre em Ciências do Desporto. Diretora Clínica da empresa Quércia (Viana do Castelo). A exercer Medicina do Trabalho também nas empresas Cliwork (Maia), Clinae (Braga), Medicisforma (Porto), Sim Saúde (Porto), Servinecra (Porto) e Radelfe (Paços de Ferreira).

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