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Riscos ligados a lesões musculoesqueléticas

As lesões musculoesqueléticas são os problemas relacionados com o trabalho mais frequentes na Europa e custam milhares de milhões de euros aos empregadores e aos Estados-Membros.

Os dois principais grupos de lesões musculoesqueléticas são dores/lesões lombares e afeções dos membros superiores relacionadas com o trabalho (por vezes referidas como «lesões por esforços repetitivos»). Os membros inferiores também podem ser afetados. As lesões musculoesqueléticas abrangem quaisquer danos ou lesões das articulações ou de outros tecidos. Os problemas de saúde variam entre dores intensas e mais fracas e situações clínicas mais graves, que exigem dispensa do trabalho e inclusivamente tratamento médico. Em casos mais crónicos, podem mesmo levar à incapacidade e à necessidade de deixar de trabalhar.

As doenças musculoesqueléticas podem ser causadas ou agravadas por fatores físicos (ergonómicos, biomecânicos), mas também psicossociais, como a intensidade do trabalho, exigências elevadas, repetitividade, falta de controlo sobre o trabalho, carga de trabalho mental, com elevados níveis de responsabilidade, em especial quando associados a fatores físicos.

Além disso, as características do ambiente de trabalho, incluindo o equipamento de trabalho e a configuração do espaço, e as características do objeto manuseado têm influência no desenvolvimento destas lesões.

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Enquanto empregador, o que tem de fazer?

Riscos ergonómicos ocorrem praticamente em todos os locais de trabalho. Afetam os operários fabris, os motoristas ou os agricultores, mas também as pessoas que trabalham nos serviços e empregados de escritório. Não é possível eliminar completamente os riscos, mas poderá agir para prevenir ou, pelo menos, minimizar, certas lesões musculoesqueléticas (8 ). Estudos recentes indicam que determinados investimentos na melhoria das condições ergonómicas e na prevenção de lesões musculoesqueléticas no local de trabalho podem desencadear um elevado retorno do investimento.

Para os trabalhadores que são já afetados por lesões musculoesqueléticas, o desafio consiste em preservar a sua empregabilidade, mantê-los no ativo e, se for caso disso, reintegrá-los no local de trabalho.

Na sua avaliação dos riscos, esteja atento a diferentes tipos de riscos, tendo em mente que, muitas vezes, agem em conjugação e que existem outros fatores, não relacionados com o trabalho, que contribuem para o desenvolvimento de lesões musculoesqueléticas (p. ex., atividade física, obesidade e stresse na vida privada).

Os fatores no trabalho podem incluir:

  • Fatores físicos, tais como:
    – uso de força ou pressão localizada;
    – movimentos ou repetitivos ou com esforço;
    – posturas de trabalho incorretas ou estáticas;

    Ao avaliar estes fatores físicos, é também importante considerar a sua duração, já que um tempo de recuperação insuficiente aumenta o risco de ferimento
  • Fatores do ambiente de trabalho, tais como:
    – vibrações;
    – má iluminação ou temperaturas baixas, humidade e ventilação;
    – condicionalismos de espaço (espaço insuficiente para desempenhar a tarefa ou para a desempenhar em segurança);
    – características da superfície de trabalho e da cadeira;
    – características dos objetos manuseados (tamanho e forma, por exemplo, demasiado grande ou volumoso);
    – peso e distribuição de peso (por exemplo, demasiado pesado, instável, imprevisível);
    – natureza do recipiente, das pegas dos equipamentos e das ferramentas (por exemplo, de apreensão difícil, intrinsecamente perigoso — afiado/quente).
  • Fatores psicossociais, tais como:
    – intensidade do trabalho (trabalho a alta velocidade ou com prazos muito curtos);
    – falta de controlo sobre as funções ou a carga de trabalho;
    – carga de trabalho mental.

    Uma vez identificados os principais riscos, reflita sobre a forma de lhes dar resposta. Muitas vezes, alterações simples, como a promoção de pausas frequentes, a alternância de tarefas ou algum exercício físico para os trabalhadores com tarefas principalmente sedentárias, podem fazer uma grande diferença. Certifique-se de que tem em consideração os aspetos ergonómicos antecipadamente — por exemplo, na aquisição de novos equipamentos ou na reconfiguração dos espaços de trabalho.

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Há muitas soluções práticas para prevenir ou minimizar lesões musculoesqueléticas:

  • Configuração do local de trabalho:
    – Adapte a posição, a altura e a configuração para melhorar as posturas de trabalho;
    – Forneça cadeiras ajustáveis, utilize plataformas, etc.
    – Assegure uma boa iluminação, evite reflexos nos ecrãs.
  • Equipamento:
    – Certifique-se de que tem uma conceção ergonómica e é adequado à tarefa.
    – Favoreça ferramentas leves, reduza o peso dos objetos.
  • Trabalhadores:
    – Melhore a sensibilização para o risco.
    – Forneça formação sobre bons métodos de trabalho.
    – Considere a possibilidade de vigilância da saúde, da promoção da saúde e de medidas de reintegração dos trabalhadores que sofrem de lesões musculoesqueléticas.
  • Organização do trabalho:
    – Planifique o trabalho de modo a evitar o trabalho repetitivo ou prolongado com posturas difíceis.
    – Introduza pausas curtas e frequentes nas atividades de maior risco (não necessariamente um período de repouso).
    – Proceda à rotação ou reafetação de postos de trabalho.

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Fonte (ACT): https://bit.ly/38ZgRel

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