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Saúde Ocupacional e Assédio moral no Local de Trabalho

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A Saúde e Segurança do Trabalho (ou a Saúde Ocupacional, se for preferível, ou até mesmo a Segurança, Higiene e Saúde dos trabalhadores nos Locais de Trabalho) abrangem uma profusa pluralidade disciplinar, na abordagem das denominadas “doenças ligadas ao trabalho” que compreendem um amplo conjunto de situações em que o trabalho, de alguma forma, intervém na causa ou no desfecho dessas patologias (Uva; Graça, 2004).

Independentemente da natureza das inter-relações entre o ambiente de trabalho (no seu sentido mais amplo) e a saúde, as condições de ocorrência de efeitos negativos para a saúde pertence sempre ao mundo do trabalho ainda que existam, sempre, fatores de natureza individual (do trabalhador) que podem estar implicados que são muitas vezes pouco valorizados.

Os fatores de risco psicossociais que têm adquirido um “infeliz” protagonismo entre os factores de risco de natureza profissional justificaram até a campanha “Locais de trabalho seguros e saudáveis 2014-2015” agora quase a terminar.

A “emergência” dos riscos correlacionados está, por certo, mais relacionada com a crescente atenção dos diversos agentes que intervêm nas relações trabalho/doença e não tanto na sua importância que sempre foi relevante.

Têm sido usadas inúmeras formas de fazer referência ao acto de provocar uma violência psicológica no trabalho, de forma repetida e sistemática, com o objectivo de humilhar, isolar e desacreditar um trabalhador, a maioria das quais em língua inglesa: (i) bulling; (ii) mobbing; (iii) moral harassment ou (iv) psychological violence. Objetiva-se nesses actos:

  • impedir o trabalhador de se exprimir;
  • isolar o trabalhador;
  • desconsiderar o trabalhador em presença de colegas de trabalho;
  • desacreditar o trabalhador no seu trabalho;
  • comprometer a saúde do trabalhador.

O trabalhador assediado, para que o assédio moral produza efeito, inicia uma sucessão de acontecimentos que, no essencial, provocam perda de autoestima e de autoconfiança em que se alicerça outra sintomatologia.

Na sua grande maioria, as situações de assédio moral não têm sequer qualquer tipo de “justificação” podendo estar na sua origem aspectos de incompatibilidade interpessoal relacionada (ou não) com a (in)competência profissional ou, outras vezes, associar-se estratégias organizacionais que poderiam ser designadas como “perversas” .

A dimensão do problema é cerca de cinco vezes superior à discriminação em relação à religião, origem étnica ou opção sexual, ainda que a sua visibilidade pública seja bem menor (EFILWC, 2007).

Em qualquer situação de assédio moral existe um assediador e um assediado em contexto e trabalho. Qualquer processo que tenha como finalidade o desenho, a implementação e a manutenção de medidas de redução (ou eliminação) desse risco deve abordar sistemicamente todos os aspetos correlacionados e não apenas os fatores de natureza individual.

 .

Bibliografia

  • European Foundation for the Improvement of Living and Working Conditions – Fourth European Working Conditions Survey. 2007
  • Hirigoyen, M-F. – Assédio, Coacção e Violência no Quotidiano. Cascais: Editora Pergaminho,
  • Hirigoyen, M-F. – Assédio no trabalho, como distinguir a verdade. Cascais: Editora Pergaminho,
  • Uva, A. – A Saúde dos Trabalhadores da Saúde. Reflectir Saúde. 6:1 (1996) 9-16.
  • Uva, A.S.; Graça, L. – Saúde e Segurança do Trabalho. Glossário. Lisboa: Sociedade Portuguesa de Medicina do Trabalho, 2004 (Cadernos/ Avulso; 4).
  • Uva, A.S. – Saúde ocupacional e assédio moral no local de trabalho. SOCIUS Working papers – Instituto Superior de Economia e Gestão, 2008.

Disponível em

http://pascal.iseg.utl.pt/~socius/publicacoes/wp/WP.4.2008.pdf

 

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António de Sousa Uva

António de Sousa Uva

António de Sousa Uva é médico e Professor Catedrático de Saúde Ocupacional da Escola Nacional de Saúde Pública onde coordena o Departamento de Saúde Ocupacional e Ambiental e ainda coordena o curso de especialização em Medicina do Trabalho.
António de Sousa Uva

António de Sousa Uva

António de Sousa Uva é médico e Professor Catedrático de Saúde Ocupacional da Escola Nacional de Saúde Pública onde coordena o Departamento de Saúde Ocupacional e Ambiental e ainda coordena o curso de especialização em Medicina do Trabalho.

Um comentário em “Saúde Ocupacional e Assédio moral no Local de Trabalho

  1. Eu sou vitima de assédio moral no trabalho!
    Tenho vivido momentos de grande tensão tortura psicológica, por parte de superiores hierárquicos, Tudo começou quando por motivos pessoais tive que apresentar queixa do marido de uma superiora hierárquica que trabalhava no banco onde tínhamos a nossa conta! Tanto que quando o fiz fui imediatamente avisada que iria sofrer as consequências esse senhor fez questão de me lembrar quem era a mulher dele.
    Posteriormente essa senhora conseguiu conduzir um exercito utiliza constantemente outras pessoas para me perseguirem, humilhar, expor ao ridículo e com a ajuda da sua superiora hierarquia que também é minha e que acha que por ser diretora pode fazer tudo inclusive julga que está acima da lei.
    Perante isto que li, (inclusive fiz um trabalho de faculdade para a disciplina de Saúde e segurança no trabalho sobre esta realidade de muitos de nós que trabalhamos debaixo de uma hierarquia que não tem limites, não tem castigos nem chamadas de atenção.
    passo a explicar cada passo e aproveitando o texto do Ex Sr. Dr. António de Sousa:

    “Têm sido usadas inúmeras formas de fazer referência ao acto de provocar uma violência psicológica no trabalho, de forma repetida e sistemática, com o objectivo de humilhar, isolar e desacreditar um trabalhador, a maioria das quais em língua inglesa: (i) bulling; (ii) mobbing; (iii) moral harassment ou (iv) psychological violence. Objetiva-se nesses actos”:
    impedir o trabalhador de se exprimir:
    Recentemente fui expulsa de uma reunião de serviço que iria servir para os profissionais envolvidos retirarem duvidas sobre o processo do SIADAP, neste caso relativamente ao ano de 2013/2014. Porque pretendia esclarecer umas duvidas a Sr.ª Diretora expulsou-me da reunião perante o olhar incrédulo de todos os presentes, não permitiu que eu falasse ou sequer me dirigi-se ás restantes profissionais.
    isolar o trabalhador: Considero o isolamento neste caso concreto quando as colegas de trabalho inclusive algumas pessoas em que lhes são delegadas competências para serem responsáveis me negam o direito à informação, estão impedidas pela Sr.ª Diretora de me atenderem o telemóvel de serviço, quando pretendo resolver questões de trabalho inclusive já tive situações em que as minhas colegas tiveram receio de conversar comigo(nomeadamente quando saíram da reunião em que fui expulsa) sou muitas vezes posta de lado porque inclusive quando se trata de ter acesso a informação de serviço.
    desconsiderar o trabalhador em presença de colegas de trabalho:
    Isso é uma constante todas as colegas tomaram conhecimento do acto de avaliação do biénio do ano de 2013/2014, a 27 de Outubro de 2015 (dia em que fui expulsa da reunião pela Sr.ª Diretora) eu sou a única profissional que ainda não tomou conhecimento do acto de homologação porque a senhora entendeu que tem o direito de escrever no sitio onde deveria assinar e nunca me facultou os originais da avaliação, sequer o processo completo, isto para mostrar às profissionais que o melhor mesmo é não a enfrentar porque de contrário é uma vitima de perseguição!
    desacreditar o trabalhador no seu trabalho: Estou constantemente a ser ultrapassada, neste caso concreto, concluí uma licenciatura em serviço social em 2013, sempre que tentei evoluir, neste caso concreto pedi a reclassificação para assistente técnica, a exma senhora preferiu colocar uma senhora com o 9 ano a exercer funções de assistente técnica. Claro que isso gera conflitos, desconforto, humilhação, desmotivação, e não é que tenha nada contra a senhora em questão porque não tenho mas a verdade é que é frustrante e não é justo.
    comprometer a saúde do trabalhador:
    assim sendo a minha saúde mental e física está mais que comprometida, pois isto não são situações esporádicas são uma secessões de situações que me debilitam, tiram o sono e de certa maneira reflete-se na minha vida familiar e social. Sinto-me frustrada e para além destas situações já vi um relatório passado pelo meu médico de família a ser digitalizado e enviado para vários endereços electrónicos assim como vi a ultima pagina da minha avaliação de desempenho do ano de 2010, digitalizada e exposta a colegas que nada tinham a ver com o assunto inclusive com uma comentário pessoal da Sr.ª Diretora sobre a minha pessoa.
    O Assedio Moral existe sim, e o maior problema das instituições é que permitem que estas pessoas façam uso abusivo de poder e quando informamos e exigimos respostas por parte das instituições competentes e , temos um processo disciplinar à perna que é o meu caso, mas que francamente eu não estou nada preocupada com ele, quem sabe seja aqui que esteja a resolução dos meus problemas.

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