Vamos todos ficar bem… em Segurança e Saúde no Trabalho

Vivemos hoje num turbilhão de sensações e de emoções nunca antes experimentadas. Desde a calmaria sentida nas ruas à permanência o mais possível em domicílio e à azáfama diária dentro das nossas casas, releva-nos para um novo conceito de gestão de ocupação com recurso às novas tecnologias mas também de gestão psicossocial (famílias inteiras em convívio num espaço muitas vezes reduzido), emocional e social numa ânsia coletiva de melhoria da situação e retorno à normalidade.

Torna-se crucial o papel de todos os agentes envolvidos, nomeadamente de empregadores e colaboradores em regime de permanência residencial e/ou em teletrabalho. Para a grande maioria em regime de teletrabalho, o novo paradigma instituído de modo abrupto desde o início da primavera, acarreta uma nova conceção e organização virtual do modo e do tempo de trabalho.

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Papel do empregador

A missão dos empregadores nesta fase de contingência é essencial, desde logo pela necessidade de promover a configuração de plataformas de trabalho com o objetivo de institucionalizar a comunicação assertiva de forma a mitigar as distâncias físicas e a promover uma cultura de gestão de afetos à distância. Os empregadores deverão estar cientes que “amanhã”, quando os seus colaboradores regressarem ao trabalho, estes corresponderão de modo mais positivo ou negativo na proporção do seu quadro psicossocial e profissional vivido recentemente.

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Papel do empregador

Mas o papel dos colaboradores também é extremamente importante. Antes de tudo deverá criar rotinas como se efetivamente estivesse fisicamente a trabalhar na sua organização. Deverá definir a sua área de trabalho consciente das interações que o contexto específico exige, nomeadamente o número de interrupções caracterizadas

pelas relações familiares de proximidade. Mas deverá na medida do possível, “institucionalizar” um local onde possa executar as suas funções (computador, documentos de trabalho e telefone) como se estivesse fisicamente no seu local de trabalho oficial.

Como grande parte desse trabalho é estático, uma das formas de combater o excesso de sedentarismo será o de disciplinar o próprio (colaborador) para se levantar e deixar o espaço de funcional entre 10 a 15 minutos por cada hora de trabalho. Deverá ter também na zona referida, uma garrafa de água para combater a desidratação.

Outra sugestão que aqui deixo (e já foi referida anteriormente) será o de manter as rotinas diárias, tal como no dia-a-dia já as realizava antes deste período de confinamento residencial. O simples ato de fazer a barba, arranjar o cabelo, colocar uma pintura simples e vestir-se, vai induzir no quadro psicológico uma configuração de normalidade, promovendo a autoestima e a autovalorizarão como ser humano.

Mantenha um horário de “entrada” e outro de “saída” e crie um cronograma de ações a fazer, desde a resposta a emails, enviar mensagens aos colegas, estabelecimento de chamadas telefónicas, inclusive, poderá fazer um almoço virtual ou “tomar um café” com mais colegas de trabalho.

No final da sessão de trabalho, faça alguns exercícios físicos para melhorar a sua saúde física, fisiológica e mental. Poderá e deverá fazê-los em família.

Tente no final do dia não se “agarrar” muito ao computador (já esteve durante longos períodos), aproveite para descansar a vista e o cérebro e para conversar, fazer jogos ou ver um filme. Não esteja permanentemente a ver notícias da pandemia, estabeleça limites ao seu consumo pois existem muitas e diversificadas fontes pouco credíveis.

Não se deite muito tarde. O sono deverá ter uma duração não inferior a 7 horas diárias. Quando mais tarde de for deitar, mais o seu sono será de fraca qualidade, fragmentado, interrompido, nomeadamente no início da manhã quando os seus vizinhos se levantarem e criarem rotinas com ruído desconfortável.

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Não se esqueça, dê tempo ao tempo, este período não é mais que uma caminhada que apela ao seu sentido de resiliência e reequilíbrio social, familiar, emocional e profissional.

O dia seguinte é hoje. Os dias que se seguirão serão o recomeço de algo, tudo é novo, mas podemos efetivamente decidir a caminhada de forma mais consciente, mais madura e mais sustentável. Bem hajam

António Costa Tavares

António Costa Tavares

Técnico Superior de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho Docente, formador e consultor em matéria de SST e Gestão de Recursos Humanos e Psicologia do Trabalho Quadro da Câmara Municipal de Cascais

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