O aumento da temperatura média ambiente previsto em virtude das alterações climáticas pode ter um impacto significativo nos locais de trabalho. As ondas de calor extremo podem causar problemas graves de saúde, tais como exaustão devido ao calor, insolação e outras patologias relacionadas com o stresse térmico.
Temperaturas elevadas durante longos períodos de tempo podem também aumentar, entre outros, o risco de lesões causadas pela fadiga, falta de concentração e imprudência na tomada de decisões. Pode ainda ocorrer uma redução da produtividade. O aumento das temperaturas pode conduzir a níveis elevados de stresse por parte dos trabalhadores, nomeadamente os profissionais afetos aos serviços de emergência e os que trabalham em espaços exteriores em horários alternados de forma a evitar os períodos de maior calor.
Alguns materiais e equipamentos também podem ser afetados pelas temperaturas elevadas e o facto de se trabalhar em ambientes quentes pode implicar uma maior exposição a produtos químicos, por exemplo, no manuseamento de solventes e outras substâncias voláteis. Por último, a subida de temperatura pode aumentar os níveis de poluição atmosférica, conduzir a uma exposição prejudicial dos trabalhadores, por exemplo a ozono troposférico e partículas finas (como é o caso do smog) e favorecer a acumulação de contaminantes atmosféricos devido à estagnação do ar.
Todos os trabalhadores têm direito a um ambiente em que os riscos para a sua segurança e saúde sejam devidamente controlados, pelo que a temperatura no local de trabalho é um dos riscos que os empregadores devem avaliar, quer o trabalho seja efetuado no interior ou no exterior.
O aumento da temperatura ambiente pode afetar os trabalhadores de praticamente todos os setores, sendo este um fator conducente ao stresse térmico, contudo, os mais visados atualmente são os trabalhadores no exterior ligados aos setores da agricultura, silvicultura e construção, os profissionais afetos aos serviços de emergência e de saúde. Os trabalhadores em espaços fechados também podem correr o risco de ser afetados, especialmente se trabalharem em setores com utilização intensiva de calor ou se realizarem trabalhos com exigência física. Os riscos profissionais decorrentes do stresse térmico dependem da localização geográfica e a gravidade dos problemas de saúde pode ser influenciada por outros fatores, como a idade ou patologias preexistentes, que devem ser tidos em conta na definição de medidas preventivas e de proteção.
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Trabalhadores em espaços exteriores
Entre os setores com maior probabilidade de os trabalhadores realizarem trabalhos físicos intensos em condições de exposição direta à luz solar e ao calor incluem-se os da agricultura, silvicultura, reabilitação e manutenção rodoviária e de espaços públicos, pesca, construção, exploração mineira e de pedreiras, transportes, serviços postais, recolha de resíduos, instalação e manutenção de serviços de utilidade pública.
Os profissionais de intervenção e de socorro, tais como bombeiros, agentes da autoridade e militares, pessoal médico de emergência e trabalhadores de serviços de salvamento, também podem sair afetados, por exemplo, em caso de catástrofes naturais ou incêndios florestais. Os profissionais de intervenção e de socorro são frequentemente obrigados a trabalhar no limite máximo da sua capacidade aquando da ocorrência de fenómenos meteorológicos extremos ou catástrofes naturais, utilizando vestuário e equipamentos de proteção individual, o que pode acentuar o esgotamento físico e mental.
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Trabalhadores em espaços interiores
Os trabalhadores em espaços fechados também estão expostos ao risco de stresse térmico que pode aumentar durante as vagas de calor, especialmente no caso dos que trabalham em edifícios com uma climatização deficiente/precária, em máquinas operadas através de uma cabine sem dispor de um sistema de arrefecimento (por exemplo, gruas) e em contextos com elevada produção de calor industrial, bem como nos que realizam trabalhos físicos pesados ou que devem utilizar equipamentos de proteção individual (EPI) em condições de calor. Entre os exemplos de profissões e setores de risco incluem-se os trabalhadores ligados à pecuária e horticultura, os setores da eletricidade, da distribuição de gás e água e da indústria transformadora, por exemplo, operações de fundição, metalúrgicas, fábricas de vidro e de borracha, túneis de ar comprimido, centrais elétricas, fábricas de tijolos e cerâmica, salas de caldeiras, fornalhas ou fornos de fundição em que o material extremamente quente ou fundido é a principal fonte de calor, mas também muitos serviços, como lavandarias, cozinhas de restaurantes, padarias e fábricas de conservas, bem como trabalhadores da limpeza, da restauração e de armazém. A elevada humidade contribui para a sobrecarga térmica. Os profissionais de saúde podem igualmente ser afetados pelas ondas de calor, na medida em que a utilização de EPI em condições de temperaturas elevadas, entre outros fatores, é suscetível de contribuir involuntariamente para o stresse térmico. Estes profissionais podem ainda ser confrontados com um afluxo maciço de doentes a darem entrada durante as vagas de calor, o que implica uma elevada carga de trabalho e a condições de stresse e de esforço físico extenuante.
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Fonte (OSHA): https://osha.europa.eu/sites/default/files/Heat-at-work-Guidance-for-workplaces_PT.pdf