Com a chegada do verão e a subida das temperaturas, os sistemas de climatização, arrefecimento e armazenamento de água entram em pleno funcionamento. No entanto, esta é também a altura do ano em que o risco de proliferação da bactéria Legionella pneumophila se intensifica — tornando essencial a atenção redobrada por parte das empresas, especialmente em edifícios com sistemas complexos e ambientes industriais.
A Legionella desenvolve-se em ambientes aquáticos artificiais, como torres de arrefecimento, reservatórios de água, sistemas de ar condicionado e redes de distribuição de água quente. Quando os sistemas não são devidamente limpos e mantidos, a bactéria pode multiplicar-se e ser disseminada através de aerossóis — microgotas que, quando inaladas, podem provocar doenças respiratórias, como a Doença dos Legionários, uma forma grave de pneumonia.
Por que o verão representa maior risco?
As temperaturas elevadas são ideais para o crescimento da Legionella, especialmente quando a água estagnada se mantém entre os 20 °C e os 45 °C — a chamada “zona de risco” para o seu desenvolvimento. No verão, esta faixa térmica é facilmente alcançada em depósitos, condutas e sistemas mal isolados ou sem circulação adequada.
Além disso, o aumento do uso de sistemas de arrefecimento e humidificação nesta altura do ano favorece a libertação de aerossóis contaminados, tornando o risco ainda mais elevado em ambientes com grande afluência de pessoas, como hotéis, fábricas, escritórios, ginásios ou centros comerciais.
Quais são as obrigações das empresas?
Em Portugal, a prevenção da Legionella é regulamentada pela Lei n.º 52/2018, que obriga todas as entidades responsáveis por sistemas de água suscetíveis de disseminar a bactéria a implementar medidas de controlo e monitorização. Entre essas medidas estão:
- A elaboração e execução de planos de prevenção e controlo de Legionella (PPCL);
- A realização de análises microbiológicas regulares à água;
- A limpeza e desinfeção periódica dos equipamentos e circuitos;
- A manutenção de temperaturas seguras nos sistemas de água quente e fria;
- O registo e documentação de todas as intervenções efetuadas.
O não cumprimento destas obrigações pode traduzir-se em riscos sérios para a saúde pública, além de penalizações legais e danos reputacionais.
Como reforçar a prevenção durante o verão?
A prevenção começa com a antecipação. Antes da chegada do calor, deve ser feita uma revisão geral dos sistemas de água e climatização, com foco nos pontos críticos onde possa ocorrer estagnação, biofilme ou falhas mecânicas.
Durante o verão, é importante garantir:
- A circulação contínua da água, especialmente em zonas menos utilizadas;
- A monitorização frequente das temperaturas e da qualidade microbiológica da água;
- A desinfeção adequada dos sistemas, com produtos e procedimentos certificados;
- A sensibilização das equipas técnicas para os sintomas da doença e os cuidados de manutenção.
Conclusão
A Legionella é um inimigo invisível, mas com consequências bem reais. Durante os meses de verão, a combinação entre calor, humidade e sistemas em funcionamento intensivo exige uma resposta proativa das organizações. Garantir a segurança dos sistemas de água e climatização não é apenas uma exigência legal — é uma demonstração de responsabilidade e compromisso com a saúde pública.