SST ao longo do ciclo de vida dos sistemas solares de pequena dimensão

O ciclo de vida das instalações solares de pequena dimensão inclui as seguintes fases: conceção e planeamento, fabrico, transporte, instalação, integração na infraestrutura, operação e manutenção, desmantelamento e, por fim, eliminação/reciclagem. Estas fases envolvem diversos grupos de trabalhadores em diversos tipos de locais de trabalho e de setores, por exemplo, mecânicos de maquinaria industrial, engenheiros eletrotécnicos, soldadores, metalúrgicos, eletricistas, instaladores de sistemas de energia solar, trabalhadores da construção, trabalhadores afetos à gestão de resíduos, etc.

O exame dos aspetos relacionados com a SST em todas estas fases mostra que os principais perigos – substâncias perigosas, trabalho em altura, escorregadelas, tropeções e quedas, riscos de descarga elétrica e de incêndio – podem, portanto, afetar numerosos trabalhadores em numerosos locais de trabalho. Na conceção de um painel solar, importa, por conseguinte, ter em linha de conta a SST durante todo o ciclo de vida do sistema e conceber este de modo a minimizar os riscos em fases posteriores do respetivo ciclo de vida. Antes de colocar o produto no mercado, é igualmente necessário efetuar testes de desempenho em termos de SST a fim de assegurar que o produto cumpre normas aceitáveis nesse domínio.

A maioria dos perigos relacionados com sistemas solares de pequena dimensão são basicamente conhecidos noutras indústrias e podem ser geridos com base nos conhecimentos existentes em matéria de SST. No entanto, são também necessárias novas combinações de competências para enfrentar novos conjuntos de perigos e para lidar com novos produtos (por exemplo, as telhas fotovoltaicas – o que significa que as telhas passam a constituir uma fonte de perigo elétrico) e substâncias como os novos nanomateriais. As instalações solares destinadas à produção de água quente, por exemplo, exigem que os trabalhadores possuam as competências de um telhador, um canalizador e um eletricista, bem como conhecimentos relacionados com o trabalho em altura.

A crescente procura de instalações solares domésticas de pequena dimensão é também suscetível de conduzir a um défice de competências que poderá ser difícil de colmatar rapidamente, o que, por sua vez, pode dar azo a que trabalhadores lidem com novas tecnologias ou tecnologias com as quais não estão familiarizados, sem que possuam a
formação adequada e as competências necessárias para o efeito. Além disso, a disponibilidade de financiamento público para promover tais instalações é suscetível de atrair novas empresas que podem carecer de experiência nessa área, e a corrida a essas subvenções, antes de elas serem eventualmente suprimidas, poderá desviar as atenções da SST.

Não existem atualmente dados fiáveis sobre acidentes de trabalho associados aos sistemas de energia solar. O facto de uma grande parte do trabalho relacionado com a instalação desses sistemas ser efetuada por trabalhadores independentes ou no contexto da economia informal dificulta a recolha de dados sobre acidentes e doenças relacionados com esse trabalho. A avaliação de riscos no local de trabalho pode também ser entravada pela indisponibilidade de dados em matéria de segurança e saúde, especialmente no que se refere à vasta gama de tecnologias solares e processos de fabrico de células fotovoltaicas. Os dados disponíveis relativos a quedas em altura mortais indicariam que a energia solar captada nos telhados é várias vezes mais perigosa do que a energia eólica ou a energia nuclear (0,44 mortes por terawatts-hora por ano, face a 0,15 e 0,04 mortes, respetivamente). Com o aumento da procura de instalações solares de pequena dimensão, a probabilidade de ocorrerem acidentes relacionados com a segurança e saúde pode estar também a aumentar.

A expansão do setor da energia solar faz ampliar consideravelmente todas a fases do ciclo de vida da tecnologia, implicando riscos potenciais para um número crescente de pessoas. No momento em que os painéis fotovoltaicos atingirem o fim do seu ciclo de vida, irão criar um enorme volume de resíduos eletrónicos (e-resíduos), com potenciais impactos no ambiente e a saúde. Outras fases do ciclo de vida das tecnologias solares, como a construção e a manutenção, são igualmente afetadas por essa ampliação e devem ser acompanhadas de perto no se refere aos aspetos inerentes à SST. Os perigos das novas tecnologias solares fotovoltaicas (células solares com semicondutores orgânicos, células solares sensibilizadas por corantes, células de película fina de carboneto de silício microcristalino e células produzidas com recurso a nanomateriais) são difíceis de avaliar visto que estas ainda se encontram na fase laboratorial de desenvolvimento.

.

Fonte (OSHA):

Rate this post

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subscribe!