Independentemente do aspecto regulador, é lógico que se procure prevenir o risco decorrente do ruído, tal como qualquer outro risco para a saúde, tanto mais que a surdez provocada pelo ruído é uma das doenças profissionais mais frequentes na Europa. No entanto, deparamo-nos com resistências, uma vez que a diminuição do ruído no local de trabalho não só exige empenhamento como a mudança de algumas das práticas e atitudes perante o trabalho. Além disso, o risco não salta à vista, dado que, em geral, a surdez se desenvolve lentamente e até os trabalhadores que correm mais riscos têm relutância em alterar os seus hábitos. É esta a razão pela qual é importante relembrar os perigos da exposição ao ruído no local de trabalho ao pessoal de chefia e aos trabalhadores em causa.
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Exposição a níveis sonoros elevados
• Induz surdez irreversível. Quais são as consequências para os trabalhadores no plano profissional? Como irão fazer face às consequências?
• Impede a concentração e, consequentemente, diminui o rendimento;
• Cria stress e, consequentemente, diminui a capacidade;
• Põe em perigo a segurança, porque os avisos não são ouvidos;
• Transmite uma imagem negativa da empresa aos candidatos ao emprego e ao público em geral;
• Dificulta a comunicação entre os trabalhadores.
Relativamente a estes aspectos, o quadro seguinte apresenta algumas respostas a reações frequentes dos trabalhadores.
Ao abordar este problema, é necessário informar os trabalhadores e os seus representantes e implicá-los na procura de soluções.
Intimamente associada à proteção contra o ruído está a questão dos limites de exposição: quaisquer que sejam as medidas adoptadas, haverá sempre algum ruído residual. Qual é o nível sonoro aceitável?
A Diretiva 2003/10/CE estabelece obrigações ligadas aos valores limite e aos valores que desencadeiam a ação (ver capítulo 9, «Resumo da legislação antirruído da UE»). Ambos os valores podem ser diminuídos aquando da transposição para a legislação nacional. Os valores limite e os valores que desencadeiam a ação são determinados em função do risco de lesão, cabendo à entidade patronal o estabelecimento de níveis inferiores. Haverá situações específicas em que a natureza do trabalho exige níveis sonoros inferiores para permitir a concentração, diminuir o stress e aumentar a eficácia (p.ex., escritórios, oficinas onde se executam tarefas de precisão, laboratórios clínicos, centros de investigação, etc.).
Como já dissemos, o ruído pode criar stress e impedir a concentração, diminuindo assim as capacidades e o rendimento dos trabalhadores. Por conseguinte, esforçar se por reduzir o ruído é do próprio interesse da entidade
patronal.
«Controlar o ruído é importante porque o ser humano não pode ‘desligar’ os ouvidos da mesma forma que fecha os olhos»
| Reticências | Respostas |
| Não preciso de proteção, estou habituado ao ruído | Está “habituado” ou está a ficar surdo e, por isso, menos sensível ao ruído? |
| Quando há menos ruído, não sei dizer como é que as máquinas estão a funcionar | É só uma questão de hábito: vai «aprender» a conhecer os novos sons das máquinas |
| Os protetores auditivos incomodam-me: falta-me o ar, faz me demasiado calor e interfere com outros equipamentos de proteção | Existem muitos tipos de protetores auditivos: procure encontrar o mais adequado e confortável |
| O equipamento contra o ruído transtorna o meu trabalho com as máquinas | Este equipamento serve para o proteger. Mas se tiver ideias sobre como melhorar o trabalho com as máquinas, faça o favor de dizer? |
| Trabalho aqui há muito tempo e ainda não estou surdo | A surdez é progressiva e é difícil ter consciência de que se está a ficar surdo. Faz controlos audiométricos regulares? |
| De qualquer forma, se ficar surdo ponho um aparelho! | Lembre se de que a surdez é irreversível e as próteses auditivas só ampliam a audição que lhe resta |
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Fonte (ACT):