Numa emergência médica, os primeiros minutos são cruciais para salvar vidas. Saber como agir — e dispor dos meios adequados — pode fazer toda a diferença. É por isso que a existência de procedimentos de primeiros socorros bem definidos e a instalação de Desfibrilhadores Automáticos Externos (DAE) em locais estratégicos são hoje considerados elementos fundamentais de qualquer política de segurança e saúde no trabalho.
Este artigo aborda a importância da formação em primeiros socorros, o funcionamento dos DAE, as obrigações legais em Portugal e como preparar uma empresa para responder de forma eficaz a situações de emergência.
A importância dos primeiros socorros no local de trabalho
Os primeiros socorros consistem em assistência imediata e temporária prestada a uma pessoa ferida ou doente, até à chegada dos profissionais de emergência. No contexto laboral, podem ser cruciais em casos como:
- Acidentes com cortes, entorses ou fraturas;
- Queimaduras e choques eléctricos;
- Intoxicações acidentais;
- Paragens cardiorrespiratórias ou crises convulsivas;
- Desmaios, hipoglicemias ou reações alérgicas graves.
Benefícios de uma resposta rápida
- Redução da gravidade das lesões;
- Prevenção de complicações ou agravamentos;
- Aumento das hipóteses de sobrevivência, especialmente em paragens cardiorrespiratórias;
- Reforço da confiança e segurança dos trabalhadores;
- Cumprimento da legislação e redução da responsabilidade legal.
O que são os DAE e como funcionam?
O Desfibrilhador Automático Externo (DAE) é um dispositivo portátil que analisa automaticamente o ritmo cardíaco de uma vítima em paragem cardiorrespiratória e, se necessário, administra um choque eléctrico para restabelecer o ritmo cardíaco normal.
Características principais:
- É seguro e fácil de utilizar, mesmo por não profissionais;
- Dá instruções de voz passo a passo ao utilizador;
- Só permite o choque se detectar um ritmo cardíaco passível de desfibrilhação;
- Pode ser utilizado por qualquer pessoa, desde que o equipamento esteja registado e inserido num programa de DAE validado.
Obrigações legais em Portugal
- O Decreto-Lei n.º 188/2009, alterado pelo Decreto-Lei n.º 184/2012, estabelece a obrigatoriedade de instalação de DAE em determinados locais de acesso público, como centros comerciais, aeroportos ou estádios;
- Empresas que optem por instalar DAE devem integrar os equipamentos num programa de desfibrilhação automática externa (PDAE) aprovado pelo INEM;
- A legislação exige que haja pessoas formadas para operar o equipamento e prestar suporte básico de vida;
- O DAE deve ser alvo de manutenção periódica e devidamente sinalizado.
Como preparar a empresa
1. Elaborar um plano de emergência com componente de primeiros socorros
- Identificar os riscos e necessidades específicas do local de trabalho;
- Designar colaboradores como socorristas internos com formação certificada;
- Garantir a existência de kits de primeiros socorros completos e acessíveis.
2. Instalar um ou mais DAE em locais estratégicos
- Próximos de zonas com elevada afluência de pessoas;
- Visíveis e com sinalização clara;
- Garantir acessibilidade mesmo fora do horário normal (ex: zonas comuns, recepção).
3. Formar os trabalhadores
- Formação em Suporte Básico de Vida com DAE;
- Simulações regulares para reforçar a confiança e a rapidez de resposta;
- Divulgação do protocolo de actuação em caso de emergência.
4. Manutenção e conformidade legal
- Garantir que os equipamentos são verificados dentro dos prazos recomendados;
- Actualizar registos junto do INEM e da ARS sempre que necessário;
- Rever o plano de emergência com regularidade.
Dicas práticas para primeiros socorros no local de trabalho
- Em caso de ferimento: usar luvas, estancar hemorragias e proteger a ferida;
- Em caso de desmaio: deitar a vítima, elevar as pernas e verificar respiração;
- Em caso de queimadura: lavar com água fria e cobrir com gaze esterilizada;
- Em caso de intoxicação: identificar a substância e contactar o CIAV (800 250 250);
- Em caso de paragem cardiorrespiratória: iniciar manobras de reanimação e usar o DAE o mais rapidamente possível.
Conclusão
Integrar os primeiros socorros e o uso de DAE na cultura de segurança da empresa é um investimento em vidas. A rapidez e eficácia da resposta em situações críticas podem salvar colaboradores, clientes ou visitantes — e demonstram um compromisso real com a saúde e o bem-estar no local de trabalho.
Com formação adequada, equipamentos acessíveis e procedimentos bem definidos, qualquer organização pode estar pronta para agir quando cada segundo conta.