Avaliação de riscos ligados ao género

Avaliação de riscos ligados ao género

Existem diferenças substanciais na vida profissional das mulheres e dos homens, o que afeta a segurança e a saúde no trabalho. São necessários esforços sustentados para melhorar as condições de trabalho dos homens e das mulheres. No entanto, a adoção de uma abordagem «neutra do ponto de vista do género» na avaliação dos riscos e na prevenção pode fazer com que os riscos incorridos pelas mulheres sejam subestimados ou mesmo ignorados.

Quando evocamos os riscos no trabalho, pensamos geralmente nos homens que trabalham em ambientes de alto risco de acidentes, como um estaleiro de obras ou uma embarcação de pesca, e não nas mulheres que trabalham em serviços de saúde ou sociais ou em centros de atendimento de chamadas. Uma análise cuidada das circunstâncias efetivas de trabalho revela que as mulheres, tal como os homens, se podem confrontar com riscos de trabalho significativos. Para além disso, tornar o trabalho mais fácil para as mulheres significa necessariamente tornar o trabalho mais fácil para os homens. Por conseguinte, importa ter em conta o género na avaliação dos riscos no local de trabalho.

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Enquanto empregador, o que tem de fazer?

As suas responsabilidades são as mesmas independentemente do género dos seus trabalhadores. Não é necessário efetuar uma avaliação de riscos específica em função do género e não deve assumir quaisquer pressupostos puramente com base no género. No entanto, deve ter em conta a perspetiva do género, o que é mais relevante em certas atividades profissionais do que noutras.

Sabia que as mulheres tendem a sofrer mais de dores de costas e membros superiores em resultado do trabalho repetitivo na indústria transformadora e no trabalho de escritório, problemas estes que se acentuam durante a gravidez? Também é frequente terem empregos que exigem prolongadas posturas de pé; ao passo que os homens tendem a sofrer mais com as dores lombares devido a exercerem trabalhos com grande esforço. Os homens e as mulheres continuam a ser expostos de forma diferente. Por exemplo, 42% dos homens e apenas 24% das mulheres trabalhadoras transportam cargas pesadas. Em contrapartida, 13% das mulheres, contra apenas 5% dos homens, pegam em pessoas ou transportam-nas no âmbito do seu trabalho.

Na sua avaliação dos riscos ligados ao género, é importante:

  • atender ao verdadeiro trabalho a realizar e ao contexto real de trabalho;
  • não fazer suposições sobre a exposição baseadas exclusivamente na descrição do emprego ou no título;
  • ter cuidado com discriminação em função do género quando dá prioridade aos riscos, classificando-os de altos, médios e baixos;
  • envolver as mulheres na avaliação dos riscos. Considere a utilização de métodos de deteção de riscos de saúde. A ergonomia participativa e as intervenções de stresse podem disponibilizar alguns métodos;
  • certificar-se de que as pessoas que realizam as avaliações dispõem de informações e formação suficientes sobre questões de género no domínio da saúde e segurança no trabalho;
  • garantir que os instrumentos e ferramentas utilizados para a avaliação incluem questões pertinentes para os trabalhadores e as trabalhadoras. Caso contrário, proceda à sua adaptação;
  • informar os assessores externos de que devem adotar uma abordagem atenta às questões de género, e verificar se estão em condições de o fazer;
  • prestar atenção às questões de género sempre que se considerarem as implicações em matéria de SST de quaisquer alterações previstas no local de trabalho.

Por exemplo, no que respeita ao stresse, incluir:

  • interfaces casa-trabalho e horários de trabalho dos homens e das mulheres;
  • progressão na carreira;
  • assédio;
  • fatores de stresse emocional;
  • interrupções não programadas e realização de várias tarefas ao mesmo tempo.
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