coronavirus

+COVID-19: os cinco dígitos diários foram atingidos em dia de reis!

Uma vaga com uma incidência que revela uma silhueta em bossa de camelo é uma configuração estranha numa pandemia só explicável, presuntivamente, por factores que vão desde a disponibilidade da testagem (ou dos seus resultados) até ao resultado de políticas adoptadas. Isto no Dia de Reis que, numa perspectiva figurativa, “casa” bem com corona.  

O número de novos casos de hoje é superior a dois por cento dos casos o que equivale a dizer que, com essa frequência, bastaria cerca de mês e meio para, a esse ritmo, ter os casos que temos (em cerca de um ano). Alguns países da Europa pelo contrário, como o Reino Unido têm, proporcionalmente, semelhantes incidências e outros, como a Itália, apresentam silhuetas diversas.

Que explicação(ões) existe(m) para o que ocorre? Até de uma terceira vaga se ouve referências?

Se a nova variante (… inglesa …) do vírus pode explicar, parcial ou totalmente, o que sucede (sem certezas), o que esperar com a retoma das actividades escolares?

Que medidas de mitigação estarão para adoptar objectivando a gestão do risco?

Será necessário mais para dar mais importância ao que ocorrerá, hipoteticamente, mais daqui a duas, quatro ou seis semanas?

Serão necessários mais resultados destes para levar mais a sério o distanciamento físico (com ou sem vacina) por, pelo menos, mais um semestre?

Actualmente deixou de se falar em empresas ou transportes públicos, mas é indispensável referir que as regras do distanciamento são directamente proporcionais à aglomeração de pessoas e que as medidas de prevenção devem ser reforçadas e não aligeiradas não só, ou exclusivamente, em estabelecimentos de ensino. A vacina só impactará daqui a muitos meses.

A fadiga pandémica em que vivemos e a ansiedade que a falta de afectos nos provoca têm que ser contidas para mantermos capacidade de prestação de cuidados a quem mais precisa. Dito de outra forma, adoptarmos medidas de prevenção não protege só a nossa saúde, mas a saúde dos outros (e de diversas formas!). Após um ano de esforço conjunto vamos, agora, “morrer na praia”?

Temos que dizer não em actos e não em palavras! Aquela história de sermos todos agentes de Saúde Pública não pode esmorecer!

António de Sousa Uva, Médico do Trabalho, Imunoalergologista e Professor Catedrático de Saúde Ocupacional da ENSP (UNL)

Lisboa, 06 de janeiro de 2021

António de Sousa Uva

António de Sousa Uva

António de Sousa Uva é médico do trabalho e Professor Catedrático. Coordena o Departamento de Saúde Ocupacional e Ambiental da ENSP/UNL e é Membro do Centro de Investigação em Saúde Pública (CISP).

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subscribe!