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Riscos Psicossociais na Condução Automóvel Profissional

A atividade de condutor profissional impõe elevadas exigências emocionais no trabalho. A competitividade do setor, a pressão do tempo, a fadiga e a necessidade de tomar decisões adequadas em tempo útil para atingir os objectivos da viagem em condições de eficiência e segurança são exemplos dessa exigência. Por outro lado, sendo também um trabalho repetitivo e monótono, exige um alto grau de concentração.

O trabalho de condução profissional muitas vezes é desempenhado em horário noturno e em zonas pouco movimentadas e perigosas. A utilização cada vez mais intensa de novas tecnologias supõe uma constante capacidade de adaptação dos trabalhadores. O contexto de exposição a riscos ambientais, organizacionais e psicossociais agravam as exigências da tarefa.


Os riscos psicossociais derivam das interacções sociais negativas (internas e externas à empresa) que o trabalho da condução automóvel possa conter. Dadas as características deste trabalho a violência e o stresse são os principais riscos psicossociais a que os condutores se encontram expostos.


Estes riscos têm reflexos na saúde física e mental do condutor, potenciam o risco de acidente rodoviário, afetam o desempenho das organizações e têm impacto no plano dos custos sociais.

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Impactos dos riscos psicossociais

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Estratégias de prevenção dos riscos psicossociais

Prevenção primária: riscos no local de trabalho

  • Perspetivar a organização do trabalho prevenindo as situações geradoras de violência e de stresse;
  • Definir um mapa de perigos do setor, contemplá-los na avaliação dos riscos e prever medidas de prevenção;
  • Consultar os condutores no processo de implementação das mudanças ou inovações que afetam o seu trabalho;
  • Definir com clareza as funções e responsabilidades de cada trabalhador (escalas, turnos carreiras e horários);
  • Programar o trabalho tendo em conta as condicionantes externas que o influenciam;
  • Aplicar um programa de intervenção sobre o consumo excessivo de álcool e substâncias psicoativas;
  • Envolver os trabalhadores numa política anti stresse e de tolerância zero à violência e valorizar todos os incidentes: linguagem, comportamentos agressivos e intimidação e definir regras claras sobre o comportamento a adotar em situação de agressividade ou violência;
  • Estabelecer um processo de registo dos atos de violência adequado, analisar os registos, identificar padrões de risco e criar códigos de conduta;
  • Prever práticas laborais seguras (por exemplo, acompanhamento de trabalhadores no trabalho noturno, criar alternativas ao trabalho que implique o manuseamento de dinheiro, etc);
  • Disponibilizar aos trabalhadores meios de comunicação para situações de emergência, avaria ou imprevistos;
  • Implementar estruturas de apoio para intervenção em caso de violência;
  • Prever um sistema de reconhecimento de desempenho.

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Prevenção secundária: aumento dos recursos individuais

  • Formação (gestão de stresse: como lidar com público e gerir episódios de violência, recorrendo à resolução de conflitos, mediação, etc.);
  • Capacitar os trabalhadores para a identificação de sinais precoces de atos de violência e das situações que os possam despoletar;
  • Consultar os trabalhadores;
  • Fomentar e desenvolver o sentido de cooperação e colaboração entre os trabalhadores;
  • Incentivar atitudes positivas, como a tolerância e o respeito mútuo.

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Prevenção terciária: reduzir e tratar os danos

  • Acompanhar a vítima ou testemunha do ato de violência nas horas posteriores aos acontecimentos (por ex. através dos serviços de segurança e saúde ou dos responsáveis da empresa);
  • Disponibilizar apoio psicológico imediatamente após o incidente e em caso de stresse pós-traumático;
  • Apoiar a vítima nos procedimentos administrativos e legais subsequentes (por ex., notificação do incidente);
  • Divulgar a ocorrência junto dos outros trabalhadores alertando para o perigo de situações similares;
  • Prestação de cuidados de saúde como a terapia (individual ou de grupo);
  • Rever as avaliações de riscos no sentido de identificar as medidas adicionais a serem tomadas.

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Estratégias comportamentais do condutor

  • Revelar autoconfiança, responsabilidade e autoridade dentro do veículo;
  • Estabelecer uma comunicação segura e clara com passageiros e clientes;
  • Trazer somente o dinheiro necessário para a realização de operações de venda de bilhetes e publicitar essa informação junto dos utentes;
  • Evitar colocar a carteira e dinheiro à vista dos passageiros;
  • Reagir com calma a comportamentos agressivos e/ou provocadores;
  • Usar o sistema de alarme em caso de perigo;
  • Não arriscar a vida para resistir ao roubo, ou perseguir o assaltante, ter presente que o principal objetivo numa situação de perigo é sair da mesma sem danos pessoais;
  • Memorizar a aparência do atacante e chamar a polícia (112), logo que possível.
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Um comentário em “Riscos Psicossociais na Condução Automóvel Profissional

  1. Excelentes sugestões, que deveriam aplicar-se a todas as empresas com frotas. A saúde dos motoristas deve ser prioritária, e o respeito pelos seus tempos de descanso e trabalho, uma obrigação. O tacógrafo digital pode ser uma grande ajuda a este respeito.

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