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Fadiga no trabalho: fatores e consequências

A fadiga no trabalho é causada por um conjunto de fatores, nomeadamente, fisiológicos, psicológicos, ambientais e sociais.

Dada a diversidade de definições existentes sobre a fadiga no trabalho, será bastante complexo encontrar uma definição que seja globalmente aceite, contudo, considera-se fadiga no trabalho a alteração no mecanismo de controlo psicofisiológico, quando este não responde adequadamente às exigências do trabalho, ou responde com aumento de esforço da resistência física e mental (Dijk & Swaen, 2003). Segundo esses autores, aproximadamente 20% da população ativa relatam sintomas que se enquadram no conceito de fadiga.

Em contexto de trabalho, a fadiga é um estado de esgotamento mental e/ou físico que reduz a capacidade do individuo para realizar a sua atividade de forma segura. A fadiga é mais do que uma sensação de cansaço e sonolência. As características individuais e as condições de trabalho contribuem para a fadiga no trabalho (Figura 1). Esta, é frequentemente apontada como uma das causas dos acidentes de trabalho.

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Figura 1 - Principais determinantes da fadiga no trabalho

Fonte: Adaptado de Liu et al., 2015.

A fadiga pode ser descrita como aguda ou crónica. Os efeitos da fadiga aguda são de curta duração e, geralmente, pode ser eliminada por sono ou repouso. É o resultado da falta de sono por um período curto, ou breves períodos de intensa atividade física ou mental. Quando não podemos adequadamente recuperar a fadiga, então falamos de fadiga crónica. Esta síndrome, refere-se a um estado de fadiga grave, que não consegue ser aliviada pelo descanso.

Há vários fatores que contribuem ou estão mesmo na génese da fadiga, entre eles:

  • Falta de horas de sono;
  • Esforço físico elevado;
  • Trabalho intelectual intenso;
  • Trabalho sob stress;
  • Ambiente térmico (temperaturas extremas);
  • Ambiente saturado (falta de oxigénio, fumo, etc);
  • Duração do trabalho;
  • Trabalho em posições incorretas;
  • Deficiente iluminação;
  • Trabalho por turnos;
  • Ruído;
  • Conflitos, etc.

As consequências da fadiga a nível individual são, essencialmente:

  • Dores de estômago e cabeça;
  • Insónias;
  • Alergias;
  • Irritabilidade;
  • Estado depressivo;
  • Perda de apetite;
  • Etc.

Para a organização representa:

  • Baixa produtividade;
  • Taxas elevadas de absentismo;
  • Acidentes de trabalho;
  • Etc.

Alguns estudos têm demonstrado que quando os trabalhadores dormem menos de 5 horas ou permanecem acordados mais de 16 horas consecutivas, o risco de erros causado pela fadiga no trabalho aumenta drasticamente (CCHST, 2012).

Segundo WorkSafeBC (2014), a fadiga pode ter efeitos semelhantes ao do consumo de álcool:

  • 17 horas sem dormir é equivalente a um nível de álcool no sangue de 0,05;
  • 21 horas sem dormir é equivalente a um nível de álcool no sangue de 0,08; e
  • De 24 a 25 horas sem dormir equivale a um nível de álcool no sangue de 0,10.

Conforme já exposto, a fadiga é um fenómeno que causa mal-estar, provocando alterações fisiológicas e psicológicas, resultante de esforço físico e/ou mental associado às condições ambientais, individuais e de trabalho, afetando a capacidade para o trabalho (Masson, Monteiro & Vedonato, 2015).

É possível prevenir os estados de fadiga, através da flexibilidade horária, diminuição da intensidade e duração do trabalho, melhoria das condições de SST, entre outros.

É pertinente ter em conta, que não é o trabalho em si que é nocivo, mas sim, a forma como ele é organizado. A fadiga no trabalho está relacionada com as condições de trabalho e reflete-se no desempenho do trabalhador, afetando também a sua saúde.

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Bibliografia:

  • Dijk, F.J.H., Swaen, G.M.H. (2003). Fatigue at work. Occup Environ Med, 60, (Suppl I), i1-i2.
  • Liu, Y., Wu, Li-Min., Chou, Pi-Ling., Chen, Mei-Hsin., Yang, Li-Chien., & Hsu, Hsin-Tien. (2016). The Influence of Work-Related Fatigue, Work Conditions, and Personal Characteristics on Internet to Leave Among New Nurses. Journal of Nursing Scholarship, 48(1), 66-73.
  • Masson, V.A., Monteiro, M.I., Vedonato, T.G. 2015. Workers of CEASA: factors associated with fatigue and work ability. Rev Bras Enferm, 68(3), 401-407.
  • WorkSafe Bulletin. (2014). The dangers of fatigue in the workplace. WS 2014-14.
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Dina Chagas

Dina Chagas

Doutorada em Higiene, Saúde e Segurança no Trabalho – Ramo Científico de Medicina Preventiva e Saúde Pública, pela Universidade de León, Espanha. Pós-Graduada em Segurança e Higiene do Trabalho pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias e detentora do Título Profissional para exercer a profissão de Técnico Superior de Segurança no Trabalho.
É professora convidada no Instituto Superior de Educação e Ciências (ISEC) e (co)autora de vários artigos científicos publicados em revistas e em capítulos de livros nacionais e internacionais nos diversos domínios da saúde e segurança ocupacional.
Dina Chagas

Dina Chagas

Doutorada em Higiene, Saúde e Segurança no Trabalho – Ramo Científico de Medicina Preventiva e Saúde Pública, pela Universidade de León, Espanha. Pós-Graduada em Segurança e Higiene do Trabalho pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias e detentora do Título Profissional para exercer a profissão de Técnico Superior de Segurança no Trabalho. É professora convidada no Instituto Superior de Educação e Ciências (ISEC) e (co)autora de vários artigos científicos publicados em revistas e em capítulos de livros nacionais e internacionais nos diversos domínios da saúde e segurança ocupacional.

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