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+COVID-19: à escala mundial a Europa tem agora cerca de 1/3 dos casos e das mortes por (ou com) COVID-19

A Europa, com o perfil demográfico de envelhecimento conhecido, à escala mundial, contribui com quase um terço dos casos e das mortes por COVID-19, menos que as Américas, mas um pouco mais que nos Estados Unidos da América.

Ao contrário disso, a vacinação nos Estados Unidos da América tem sido mais rápida que na Europa por razões incompletamente conhecidas que, por certo, não se esgotam em aspectos de natureza política ou, até mesmo, económica. Na Ásia, África e Oceânia os números são diferentes, certamente por inúmeras razões que, também, não se esgotam em razões de natureza política ou económica.

Com uma resposta global, aparentemente inédita, porque razão a vacinação na Europa tem sido tão lenta em relação aos Estados Unidos ou, por exemplo, ao Reino Unido?

As Nações (às vezes, des)Unidas, presididas por um português, não deveriam ter sido mais activas e influentes numa tão dramática emergência de Saúde Pública, para além do importante contributo da OMS?

Será difícil compreender que uma pandemia necessita de uma panresposta? O conhecimento acumulado, designadamente, em Saúde Pública, Infecciologia, Microbiologia, Virologia e Imunologia não é suficiente para saber que o sucesso da luta exige uma resposta que tem que ser global?

As crises também são oportunidades e a actual pandemia veio “desnudar” uma pletora de aspectos a melhorar. Desde logo, que os sistemas de saúde devem estar preparados para os problemas de saúde das populações que não se esgotam em abordagens clínicas (ainda que indispensáveis e insubstituíveis) e que a componente pública desses sistemas não pode nunca ser substituível (dito de outra forma, também é indispensável e insubstituível). Veremos, proximamente, se os sistemas respeitarão suficientemente essa realidade e se corrigirão a trajectória prevalente de basear muito a prestação de cuidados de saúde na comercialização desses cuidados.

Por outro lado, é legitimo perguntar se os modelos organizacionais da sociedade para dar resposta ao envelhecimento das populações são adequados? Ou, por exemplo e em Portugal, se a definição de critérios para legalização de alojamentos para idosos tem alguma utilidade em face do elevadíssimo número de residências (aparentemente, quase que legalmente) ilegais.

Ainda se aprendeu, adicionalmente, que a organização da resposta em Saúde Pública, no mínimo, carece de mais recursos não só humanos, mas também organizacionais e materiais. Também os sistemas de gestão da informação em saúde deverão ser melhorados e beneficiados pelas tecnologias de informação modernas.

Diz-se, não sei se com razão, “que o barato sai caro”! Terá isso acontecido também na Saúde Pública?

Uma coisa parece certa, com maior ou menor periodicidade ou com mais ou menos (ir)regularidade, os fenómenos pandémicos vão-se suceder e, aparentemente, a sua frequência tem sido (e será) cada vez maior.

Não chegará isso para as sociedades modernas desenvolverem formas organizadas mais “agressivas” no seu combate?

Essas formas serão mais um custo ou um investimento? Seria interessante avaliar o custo/benefício das emergências organizacionais, como a actual, para investigar e responder mais adequadamente às referidas “réplicas”?

Uma coisa é certa, nada deveria ser como antes depois desta pandemia. Apesar disso, existem muitas dúvidas que as insuficiências e os erros (sem qualquer perspectiva de culpa), aqui só parcialmente assinalados, não se venham a repetir.

Lisboa, de 12 de abril de 2021

António de Sousa Uva

António de Sousa Uva

António de Sousa Uva é médico do trabalho e Professor Catedrático. Coordena o Departamento de Saúde Ocupacional e Ambiental da ENSP/UNL e é Membro do Centro de Investigação em Saúde Pública (CISP).

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