imunidade-covid

+COVID-19: quase com dois em cada cinco com alguma imunidade ou nem tanto?

Os últimos estudos serológicos realizados e a taxa de cobertura vacinal (pelo menos da primeira inoculação) que temos neste (quase) início de maio não andará muito longe de dois em cada cinco cidadãos e não estará longe de quase um em cada dois não facilitarem a vida à circulação da partícula viral entre pessoas. Mesmo com aplicação de diversos correctores, não teremos menos de um em cada três, o que, não sendo imunidade de grupo, desfere uma importante acção dificultadora da transmissividade do vírus.

Excelentes notícias, já que tal dificulta, enormemente, a ocorrência de uma quarta vaga que poderia (poderá?) eclodir em maio, ainda que tal não justifique o abandono das diversas medidas de distanciamento físico e o uso de barreiras associado ao esforço de aumentar a cobertura vacinal. O exemplo de Israel é mesmo muito animador!

Permanece, todavia, entre outros e presumindo-se a aceleração da vacinação a nível mundial, o risco do aparecimento de variantes que “contornem” a imunidade natural ou adquirida. Essa vigilância não só tem que permanecer, como deveria ser ainda mais aprofundada e perspectivada globalmente para não termos quaisquer “surpresas” o que manterá ainda, presuntivamente, diminuída a circulação de pessoas a nível mundial. Apesar disso é esperável que essas variantes acompanhem o percurso provável da pandemia que se pode resumir, como já antes aflorei, na dos prefixos pan/epi/en(demia) …

Tudo leva a crer que, pelo menos, o pico dos efeitos perniciosos, quer quantitativa quer qualitativamente, já tenha ocorrido e, portanto, o pior já tenha passado e o percurso de regresso a algo mais parecido com o que era antes, possa estar agora bem mais perto do nosso anterior dia-a-dia. São duas primaveras, a estacional e a de regresso a uma maior interacção social que todos estamos privados há demasiado tempo. Será uma espécie de “renascimento” …

É uma época perigosa esta que, em última instância, pode fazer perigar o enorme esforço colectivo feito. É desejável que, pelo menos, até ao fim do verão se mantenha o nosso compromisso com todas as medidas de prevenção que temos adoptado, sem desleixo ou qualquer relaxamento do empenho em “vencer” este mau momento colectivo. Vamos “morrer na praia”? Exige-se que não esmoreçamos.

Talvez a maior questão, ainda e cada vez mais por resolver, resida nas gritantes desigualdades mundiais no acesso não só à prestação de cuidados de saúde, mas talvez ainda mais de, globalmente, não se vislumbrar capacidade de resposta eficaz a grandes problemas mundiais como é o caso da actual pandemia. Quero crer que num futuro próximo tais incapacidades possam ser supridas com mais adequadas respostas de novas “ameaças” à “aldeia global”. É que o “G” de grupo devia ser cada vez mais de “Global” …

Lisboa, 27 de março de 2021

António de Sousa Uva

António de Sousa Uva

António de Sousa Uva é médico do trabalho e Professor Catedrático. Coordena o Departamento de Saúde Ocupacional e Ambiental da ENSP/UNL e é Membro do Centro de Investigação em Saúde Pública (CISP).

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subscribe!