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Os vários riscos profissionais e sua relação com a sinistralidade laboral

Os riscos profissionais dependendo da atividade profissional em questão e das organizações, sejam elas de cariz público ou privado, acarretam na sua maioria situações desconfortáveis para os trabalhadores, nomeadamente como fatores causais no surgimento de incidentes, acidentes de trabalho e doenças, quer relacionadas com o agravamento da saúde no local de trabalho, quer doenças profissionais (originadas no local de trabalho). Estes podem revestirem-se na forma de patologias incapacitantes de forma temporária ou permanentes e em último estádio na própria morte do trabalhador.

Podemos subdividir os riscos profissionais em dois patamares interligados e indissociáveis da condição do homem no local de trabalho, com origens casuisticamente diferentes:

Os fatores de risco ambiental – existentes no meio ambiente socioprofissional, que poderão ter magnitudes diferentes com repercussões diferentes, mediante os conceitos de dose de exposição ao longo do tempo e concentração a determinado agente mais ou menos agressivo.

Os fatores de risco a nível operatório serão aqueles que, no nosso entender, têm uma manifestação direta em termos temporais com o surgimento de atos e/ou condições perigosas existentes e consequente surgimento de incidentes e/ou acidentes de trabalho, que surgem contingencialmente e de forma inesperada e súbita originando lesões incapacitantes ou a morte do trabalhador.

Voltando atrás, aos fatores de risco ambiental, identificamos uma pluricausalidade (não há causa única no nosso entendimento como técnicos de SST) de situações causais não se podendo isolar umas das outras sob pena de redundarmos a nossa investigação face ao enquadramento social, emocional, familiar, académico, formativo e profissional do indivíduo inserido em determinado contexto laboral.

Das inúmeras causas identificadas (e esta é apenas uma reflexão e uma abordagem teórica e abstrata do “universo” da segurança e saúde no trabalho), podemos referenciar as seguintes:

Causas de origem física:

  • Iluminação defeituosa (por excesso ou por defeito);
  • Ruído com um nível equivalente para 8 horas de trabalho superior aos nível de ação inferior (80dB(A));
  • Vibrações contínuas sem pausas forçando a relação mão-braço ou corpo inteiro (motoristas, manobradores, maquinistas, condutores de veículos pesados e especiais entre outros);
  • Desconforto térmico (temperatura, vento, humidade);
  • Trabalhos em altura ou em profundidade com alteração dos níveis de pressão hipobárica e hiperbárica;
  • Trabalhos sujeitos a radiações ionizantes ou não ionizantes, nomeadamente quem lida com aparelhos de RX, ressonância magnética ou TAC;

Causas de origem química

  • Exposição a poeiras, fumos não controlados;
  • Neblinas tóxicas, aerossóis (área da saúde hospitalar por exemplo),
  • Gases, vapores orgânicos, substâncias ou compostos químicos (tratamento de águas por exemplo), fibras (amianto), entre outras causas;

Causas de origem biológica

  • Exposição a vírus (nestes dois anos temos infelizmente assistido ao novo paradigma do SARSCOV2 e da doença associada como COVID19 no âmbito da saúde pública mas também da saúde no trabalho),
  • Exposição a bactérias, protozoários, fungos, parasitas e bacilos entre outros, sejam em atividades laboratoriais, sejam a nível do saneamento básico, tratamentos de efluentes ou de águas pluviais por exemplo;

Causas de origem ergonómica

  • Posturas incorretas, sejam a nível do trabalho em ambientes administrativos, sejam por exemplo no levantamento e transporte de cargas;
  • Esforços prolongados sem pausas ou com pouca rotatividade;
  • Imposição de ritmos cadenciados, monótonos e pouco estimulantes ao sistema nervoso central lavando a desatenções várias;
  • Jornadas de trabalho muito prolongadas entre outros fatores que causam desconforto e lesões físicas, fisiológicas e psicológicas e médio e longo prazo.

Quando falamos de fatores relacionados com os riscos de operação direta na relação homem-trabalho, evidenciamos também neste patamar inúmeras causas como o surgimento de acidentes no manuseamento de máquinas e equipamentos (cortes, perfurações, entalamentos, abrasões, exposição direta à libertação de gases tóxicos e insalubres, probabilidade de contato com fontes elétricas, layouts congestionados com dificuldade de manobras por parte dos utilizadores, colidindo e ferindo-se frequentemente, não esquecendo as quedas por vezes com repercussões irreversíveis na mobilidade plena assim como a probabilidade de sofrer queimaduras ou intoxicações por incêndios ou explosões nomeadamente em trabalhos com caldeiras e outros equipamentos de alta pressão), entre outros existentes, não vistoriados adequadamente pelos técnicos de segurança e saúde.

Por tudo isto e muito mais do atrás referimos, a gestão das condições de trabalho assume uma missão por vezes messiânica na prossecução da identificação dos fatores causais, sua mitigação (grande parte não os podemos eliminar) e controlo, apostando na proteção coletiva (desejável) mas também em parceria com os fornecedores técnicos de equipamentos, apostar numa proteção eficaz, adequada e mais humanamente confortável para que o trabalhador tenha mais segurança intrínseca e mais conforto no seu dia-a-dia, melhorando o seu envolvimento com o trabalho, a sua motivação enquanto trabalhador e consequentemente a sua produtividade e/ou desempenho.

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António Costa Tavares

António Costa Tavares

Técnico Superior de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho Docente, formador e consultor em matéria de SST e Gestão de Recursos Humanos e Psicologia do Trabalho Quadro da Câmara Municipal de Cascais Membro da Comissão de Trabalhadores da CMC

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